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Monólogo 25 de 2022 - Como eu penso na hora de escrever meus textos

Tuesday, October 18, 2022era two4 min readmonologue

This text is in Portuguese, as written.

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Note from the Monologues series

Todos os dias terminados em 0 (ou algo assim) terão textos de cunho muito pessoal aqui na página. Não há necessariamente um objetivo firmado e concreto nos textos desses dias. Como diria um amigo meu: “Conheça o autor e entenderá a sua obra”.

A maioria dos textos que eu escrevo têm o propósito de ser atemporal. Desde o primeiro post da página até o presente, acredito que 90% sejam sobre assuntos relevantes daqui a 6 meses, 2 anos, uma década, e até mesmo uma centena de anos. São coisas que não saem de moda: a motivação e a desmotivação, os enigmas da nossa psique em relação ao bem e o mal, nossas divagações sobre o amor e o ódio, até mesmo a separação de grupos de base feita pelos governos.

Quantos textos escrevi sobre a celebridade X ou Y? Sobre a influência da Anitta na percepção da música brasileira? Ou quem sabe, sobre o novo seriado relevante no momento? Isto renderia bastante material: a história da mulher que traiu o marido com o mendigo, ou da discussão gritante do reality show, ou até mesmo a disputa política entre Lula e Bolsonaro. Alguém poderia dizer “Mas esses são assuntos importantes e relevantes no momento que vivemos!”, de certa forma, sim, mas daqui a 100 anos, quando eu e você já estivermos bem mortos, isso tudo será irrelevante ao extremo. Contudo, a disputa de poder ainda vai existir, a insegurança com o amor também, esses sim são assuntos importantes e relevantes para a humanidade, o resto é trabalho de jornalista para gerar conteúdo e firula para chegar lá.

A única coisa que eu realmente tenho em mente em relação ao leitor é: ele vai sair melhor do que estava quando leu isso aqui? E por melhor, não entenda como mais educado ou motivado, mas sim como “algo de impacto”. Eu já escrevi alguns textos aqui que podem ser considerados desmotivacionais para alguns, e muito motivacionais para outros. Tais textos não eram uma charada, nem tinham nenhuma forma de pegadinha, mas se gerou um impacto e houve uma mudança, meu trabalho foi feito.

É um absurdo dizer que eu não escrevo pensando no leitor, até porque eu raramente leio os meus textos antigos. Depois da revisão, só leio de novo se estiver procurando um texto em específico para mandar para alguém. Então, seria o equivalente a um músico que faz músicas, mas não as escuta depois de prontas, um cozinheiro que só experimenta seus pratos uma vez, ou quem sabe, um desenhista que nunca olha para os próprios desenhos finalizados, mas essa arte foi feita, e está disponível para o mundo todo.

Não entenda errado, eu também não escrevo pensando o que certas pessoas ou grupos vão achar, já mencionei isso em outros textos também, mas resumidamente, se eu ficar pensando no que grupo X ou Y vai pensar, estaria fazendo textos comerciais, e não estou aqui para vender nada, nem colecionar fãs (texto 89). Acredito que isso limita todo criador de conteúdo a se tornar um refém do seu público, e isso é morte declarada para o sentido principal da arte: a liberdade de expressão e criatividade.

Infelizmente, vivemos tempos de ilusões e otimismo tóxico. Nos culpamos por não estarmos sendo produtivos 100% do tempo, mas somos nós quem escolhemos fazer mil e uma tarefas; mentimos dizendo que a beleza não importa, mas nos preocupamos com a beleza das nossas roupas e o que os outros pensam de nó;, não nos sentimos motivados o suficiente para fazer várias tarefas, mas apontamos nossos dedos em direção àqueles que nos cobram e fazem piada disso.

Certos textos precisam existir em todos os momentos da história. Textos felizes para celebrar as vitórias e lembrar como a vida é boa nos dias ruins, como textos tristes para lembrarmos que não estamos sozinhos nos dias nebulosos e de que é nos dias bons que devemos aproveitar bem a felicidade, pois um momento ruim inevitavelmente chegará.

Se você só consome conteúdo que diz o que você quer ouvir e que não agrega em nada, é como tentar tapar o buraco de uma parede usando diversas coberturas de tinta. Não é apenas ineficiente, mas é idiota. Ter a mente aberta para refletir e pensar sobre o âmago dos assuntos é mais produtivo para ser escrito do que querer agradar ou chocar um público. Tem um ditado que diz que, aquele que escreve uma ou duas linhas, coloca a sua essência na existência humana pelo resto da vida da espécie. Eu acredito nisso e tento fazer com que essas linhas sejam relevantes e importantes para alguém, que mesmo que eu provavelmente nunca entre em contato ou sequer saiba da existência, foi impactado de uma forma relevante e positiva.

Alisson David Frangullys 23/OUT/2022 · 21:53 (GMT-5) texto para o dia · 18/OUT/2022