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Monólogo 24 de 2022 – Desmotivação pelo passado, motivação pelo futuro

Saturday, October 8, 2022era two3 min readmonologue

This text is in Portuguese, as written.

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Note from the Monologues series

Todos os dias terminados em 0 (ou algo assim) terão textos de cunho muito pessoal aqui na página. Não há necessariamente um objetivo firmado e concreto nos textos desses dias. Como diria um amigo meu: “Conheça o autor e entenderá a sua obra”.

Recentemente, tive que fazer um currículo interno, isso é, que é usado dentro da própria empresa que eu trabalho e foi uma experiência um tanto quanto triste. Dentro desse tipo de currículo, você tem que colocar as suas habilidades num formato específico. Seria o equivalente a preencher um formulário, então, não tem como colocar tudo aquilo no qual eu tenha alguma proficiência, apenas o que é relevante para a empresa de uma forma geral.

A parte triste veio na hora de começar a preencher os dados e a maioria dos campos ficarem em branco, ou com o nível básico ou intermediário de habilidade em sua grande maioria. Relativamente falando, não acho que eu seja qualificado para o próprio trabalho que estou desempenhando no momento (o que já era esperado, visto que estou em treinamento ainda), mas não deixa de ser algo que eu veja que preciso claramente mudar.

Isso me lembrou uma situação no final do ano passado, quando fui visitar um amigo meu de outro estado. Ele é um daqueles caras que não falta um dia na academia e sabe muito sobre o assunto. Anos atrás, quando comecei a ir pelas primeiras vezes na academia, foi ele quem me indicou um treino e uma dieta para que eu pudesse progredir, mas o meu relacionamento com os exercícios sempre foi complicado. Eu ia consistentemente por um tempo e depois parava de ir por meses até retomar mais uma vez mais tarde, e assim sucessivamente.

Bom, ele tem alguns pesos, halteres e barras na casa dele e, quando fui fazer o levantamento "terra" com um peso que já estava lá, consegui fazer apenas um. Obviamente, nos dias seguintes, as minhas costas continuaram a me lembrar que essa foi uma péssima ideia. Meu amigo, vendo o meu sofrimento (enquanto ria do que estava vendo, claro), disse o seguinte, quando terminei de fazer a minha única repetição: “Se você tivesse seguido o treino e a dieta que eu te passei lá no começo, você não teria problema nenhum pra fazer uma série completa com esse peso”. E ele provavelmente estava certo.

Certas coisas fazem eu olhar para as minhas escolhas passadas e ficar bem decepcionado. Se eu tivesse sido consistente, estaria numa situação dezenas de vezes melhor da qual eu me encontro hoje, mas não posso voltar no tempo e arrumar meus erros dessa maneira. Contudo, ao mesmo tempo, posso ter o mesmo sentimento daqui a 5 anos, lá no futuro, ou não.

Se eu decidir mudar hoje e começar a fazer o que é melhor para mim, vou estar numa situação na qual poderei agradecer ao meu eu passado, sem arrependimentos ou tristeza. Mas para ter essa minha versão futura, que estará feliz, tenho que dar a cara a tapa hoje e fazer o que tem que ser feito de uma vez por todas.

Então, apesar de ser um tanto quanto desmotivador olhar para o meu passado, eu me pergunto como estarei no futuro e o que preciso fazer para chegar lá da melhor forma possível, o que acaba me motivando para fazer hoje mesmo as minhas tarefas. Este texto está atrasado em alguns dias, e eu tenho várias coisas que quero voltar a fazer assim que ficar com tudo escrito sem atrasos. Aquele currículo foi bom o suficiente para fazer com que eu me mexesse e finalmente terminasse as minhas tarefas pendentes para eu fazer o que me propus a fazer logo em seguida. E assim, a desmotivação se transformou numa forma de motivação, olhando o passado apenas para evitar cometer os mesmos erros no futuro e não para me definir ou me puxar eternamente para baixo e, assim, agir no presente.

Alisson David Frangullys 17/OUT/2022 · 20:48 (GMT-5) texto para o dia · 08/OUT/2022