WallOctobermente e sociedade
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Puta
This text is in Portuguese, as written.
Suado e cansado, ele vira de lado na cama. A única coisa que consegue enxergar é um feixe de luz que vem do poste na frente da sua casa, e os objetos que refletem aquela luz pelo canto da cortina. Quando a moça que está ao seu lado coloca a mão no seu peito, ele faz uma cara de desgosto, mas sabe que ela não vai conseguir ver sua feição, mas apenas o cabelo da sua nuca e parte das suas costas descobertas, com o resto do corpo escondido pela coberta.
O que passa na cabeça dele nesse momento é como ele muda tanto de prioridade em tão pouco tempo. Menos de 10 minutos atrás, a única coisa que ele pensava era sobre os acontecimentos dos próximos minutos e, agora que acabou, sente até desgosto dessa mão que lhe toca o peito. “Por que eu faço isso comigo mesmo?”, se perguntou no silêncio dos seus pensamentos, que foi interrompido com certa irritação que veio de um aperto daquela mão no seu peito.
- O dinheiro está em cima da bancada, pode ir.
- Já ficou ranzinza? Dessa vez foi em tempo recorde!
- Ranzinza? - disse ele, girando o corpo para que seus olhos encontrassem a silhueta daquela mulher que estava ao seu lado. - Só estou te indicando onde está o seu dinheiro.
- Que seja - disse ela, levantando e tateando a cama e o chão para encontrar as roupas que estavam ali jogadas em algum lugar. - Você nunca vai me contar quem é ela? Já faz alguns meses que você me pede para trocar de nome, mas nunca me disse quem é ela.
- Não é da sua conta - respondeu ele, visivelmente irritado.
- Até meia hora atrás você era um doce, agora está todo brabinho. Não sou digna de saber quem é a Deusa do nome secreto? - Disse ela enquanto se vestia em pé ao lado da cama.
- Só pegue o dinheiro e vá embora logo.
- Que seja...
Ela terminou de se vestir e de se arrumar com as mãos da melhor forma que conseguiu, andou até a bancada que ficava perto da porta, junto com alguns cadernos, lapiseiras e livros, pegou o celular para ligar a lanterna e encontrar onde estava o dinheiro e o guardou.
- Suponho que vá me mandar mensagem na próxima sexta-feira, como de costume, certo?
Ele não respondeu a pergunta.
- Se precisar me ligar antes, fique à vontade - ao terminar de falar, mandou um beijo com a mão e foi embora da casa.
Ela já esteve ali algumas vezes. A saída já não era mais um lugar estranho, mas aquele cliente era, às vezes, não no sentido de esquisito, ele não parecia o tipo de cara que colecionava insetos colando-os num caderno ou algo do tipo, mas era mais pelo ar de mistério.
Ele ouvindo a porta fechar, a luz acender e apagar, depois o portão abrir e fechar, por último, o cadeado sendo trancado. Dessa vez, ela não esqueceu o cadeado. Menos mal, não teria que ir fechar.
Ele não sabia se o que sentia era culpa, saudade, nojo, ou resquícios de felicidade. Talvez valesse a pena tudo aquilo, mesmo que fosse para ter paz na própria mente por alguns minutos, provavelmente isso era tudo que ele buscava.
Mas hoje foi um pouco diferente do resto dos dias. Já faziam alguns minutos que ela tinha ido embora. Ele sempre dormia logo depois, com a moleza que dominava o seu corpo e o sono eminente. Hoje parecia que tudo estava mais... Inquieto do que de costume. Seu coração parecia ter sentimentos próprios, pois sentia ele mais frio, agoniado até. Ele tentou dormir, mas não conseguiu, até que desistiu e ficou olhando para o teto enquanto pensava.
Talvez fosse hora, quem sabe já tenha até passado da hora... Ele respirou fundo, ficou até frustrado, pois parecia que muito tempo já tinha passado, talvez tivesse mesmo que agir. Sim, era isso que ele ia fazer. Parecia que aquele objeto ali na cabeceira da sua cama era um bicho ou algo semelhante, ele ficou olhando e olhando, mas não tinha outra solução. Finalmente tomou coragem e pegou o celular que estava o olhando há muito tempo, e disse em voz alta para ninguém além de si mesmo.
- É, chegou a hora de mandar uma mensagem.
Alisson David Frangullys 20/OUT/2022 · 21:33 (GMT-5) texto para o dia · 09/OUT/2022
