WallJunecoisas boas da vida

171/365

Monólogo 15 de 2022 – O barulho do silêncio

Monday, June 20, 2022era one3 min readmonologue

This text is in Portuguese, as written.

  • Arte do texto 171/365
Original Instagram artwork — carousel posts show every slide.
Note from the Monologues series

Todos os dias terminados em 0 (ou algo assim) terão textos de cunho muito pessoal aqui na página. Não há necessariamente um objetivo firmado e concreto nos textos desses dias. Como diria um amigo meu: “Conheça o autor e entenderá a sua obra”.

Tarde da noite, releio mensagens recebidas e conversas finalizadas para refletir mais sobre o que foi dito. Respondo de forma adequada aquilo que merece mais atenção, a clássica rotina antes de apagar as conversas e colocar um ponto final em alguns diálogos, ou uma vírgula, se for necessário.

Leio alguns textos que me foram passados e percebo algo interessante: através de um texto, é possível dialogar além das palavras. Há textos que são mais silenciosos que outros, da mesma forma que alguns são mais animados, como se houvesse personalidade própria e fosse tão notável quanto uma criança hiperativa.

Talvez seja essa a dita paixão pelos poemas que alguns têm, pela forma como eles se comunicam numa via de mão dupla – escritor e leitor -, que é além das palavras, expressando sentimentos e pensamentos de uma forma indireta, quase como um código morse expresso da forma mais óbvia possível, mas tão óbvio que chega a se tornar quase imperceptível. Já diz o ditado que o melhor lugar para se esconder uma árvore é dentro da floresta, e essa verdade é válida para todo o resto.

Talvez isso seja apenas uma observação equivocada, pois duas pessoas que pensam de forma parecida conseguiriam entender o que a outra vai dizer antes mesmo de terminar as sentenças, da mesma forma que entenderia o que está nas entrelinhas. Acredito que isso seja uma realidade a nível de compreensão, através da empatia e assimilação. Quando você se vê no outro, mesmo que não conheça aquela pessoa, sente mesmo sem sentir, enxerga mesmo sem ver e entende mesmo sem ser explicado.

É como enxergar através de um espelho, além do que os olhos alcançam e do reflexo formado. Esse é o “clique” de representação que muitos artistas buscam, não apenas uma forma de agradar com as métricas perfeitas e traços bem feitos, mas uma compreensão ainda maior, além do que foi dito e mostrado. É o equivalente a divagar sobre o barulho do silêncio, e como isso só faz sentido para aqueles que já sentiram o peso de um silêncio no momento certo.

Só posso agradecer pela percepção e experiência, e me pergunto se alguém já se identificou com algo que eu tenha escrito em um nível profundo e reflexivo. Acho que é isso que faz um parágrafo ter seu valor, independente de quais palavras foram usadas, se é rima ABBA ou ABAB, se o texto é útil e teve algum valor para quem leu, se cumpriu seu propósito. De nada adianta uma perfeição sem desenvoltura, é como um corpo sem alma, por mais belo que seja. É apenas um casco vazio, e só serve para o próprio escritor dizer que ele é bom e eficiente.

Posso deixar a desejar na qualidade do meu vocabulário por usar palavras mais simples para expressar ideias mais complexas, por não ter métricas ou rimas perfeitas e que agradem os entendidos do assunto. O que busco é aquilo que acredito ter real valor, a excelência com a experiência daquele que for ler, a utilidade do conteúdo, que provoque um bom sentimento, que motive, que alegre mais ainda quem está feliz, e que represente o triste para ver que não está sozinho. Em outras palavras, busco ser uma alma boa, mesmo num corpo imperfeito, pois como eu disse, pra mim é na alma que está o valor.

Alisson David Frangullys 22/JUN/2022 · 18:26 (GMT-5) texto para o dia · 20/JUN/2022