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Problemas na educação

Saturday, May 7, 2022era one6 min read

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Que a educação no Brasil precisa melhorar, não é novidade alguma. Mas o porquê dela ser ruim, e como ela pode melhorar, é um tópico bem interessante.

A melhor área da educação no país consiste no ensino superior (faculdade), colégios técnicos federais e colégios particulares. O colégio público, que é onde a maioria dos estudantes se encaixam, é a mais afetada negativamente por uma má educação, e um país, que tem uma qualidade baixa nesse setor, vai formar apenas adultos mais ignorantes e piorar a sociedade.

Esquecendo que existe a tecnologia por um momento, vamos discorrer sobre alguns problemas nessa área e como poderíamos resolvê-los. Num outro texto, podemos analisar como o uso da tecnologia já existente pode melhorar certas atividades escolares, visto que o conteúdo ensinado nas escolas hoje, é praticamente o mesmo que foi ensinado a 50 anos atrás (da mesma forma, com a mesma ênfase, mesmo tendo mudanças e melhoras significativas em várias áreas).

A profissão do aluno é estudar e assim como qualquer outro trabalho, esse também tem que ser levado a sério, ou terá consequências negativas. O aluno do ensino particular entende que ele está pagando para estar ali, e o do ensino federal, sabe a dificuldade que foi para ser admitido naquele lugar. Eles entendem que o ensino é um investimento – não só de dinheiro, mas também do próprio tempo -, e por isso, querem tirar o melhor proveito possível da educação que podem ter. Quando olhamos para o que ocorre dentro de uma sala de aula em uma escola pública, percebemos que o comportamento dos alunos é diferente: uns querem aprender, outros nem sabem o que estão fazendo ali.

A falta de respeito ao professor e o baixo salário são grandes incentivos para a baixa qualidade da educação no setor público. Excelentes profissionais preferem trabalhar em outros lugares para ganhar mais (e se estressar menos) e ter uma qualidade de vida maior. Quem decide ensinar, é por amor à profissão, o que resulta numa disparidade entre os professores que não conseguiram um emprego melhor e acabam por odiar os seus empregos (a maioria), e profissionais que amam lecionar e são super qualificados.

Se o piso salarial do professor dobrasse ou triplicasse, haveria mais procura de profissionais mais qualificados (graças à maior demanda), resultando numa peneira, rejeitando os piores professores. Quem já fez a prova para poder dar aula em colégio público, sabe que ela é simples e não exige muito do profissional formado para apenas passar. Elevando a barra, devido a uma procura maior, levaria também a qualidade dos professores para as escolas.

Na perspectiva do aluno que estuda, o sistema de ensino não faz você aprender, apenas te pune pelos maus resultados e não incentiva a revisar os erros. O foco é a nota, a educação é secundária. Vira um jogo de quem erra menos ao invés de quem aprende mais. Portanto, o estudante faz o mínimo possível (mas o suficiente para passar para o próximo ano) daquilo que ele vê como uma tortura, ao invés de encarar como uma oportunidade. É a sensação de não ter sentido algum em estar naquele lugar e de estar passando por uma grande perda de tempo.

O sistema de ensino é claro: você faz a prova e recebe uma nota. Você entrega um trabalho e recebe uma nota. Você faz a atividade e recebe uma nota. Soma as notas, e se for o suficiente para passar de ano, você passa, caso contrário (faz as recuperações, se tiver), reprova. Você é punido por uma nota ruim, e se sente ameaçado por talvez perder um semestre (ou o ano todo) caso não faça o que é dito para fazer. Diante disso, você não tem muito tempo para tentar aprender para crescer, mas tenta fazer para não reprovar e ter que passar por isso mais uma vez.

Então o que acontece é o seguinte: o professor passa uma matéria, você tenta memorizar o máximo possível (principalmente quando chega o dia da prova), regurgita o conteúdo na prova e esquece tudo logo em seguida. Semanas depois, chega a nota da prova e… Você tirou um 6! Maravilha, nota boa o suficiente para passar de ano. Aí você pega a prova e guarda para memorizar as respostas e passos caso tenha que fazer uma avaliação final com os mesmos tipos de problemas. Caso contrário, vai direto pro lixo. As questões que você errou, talvez preste atenção na resposta delas enquanto o professor revisa a prova, para ver se merece um meio ponto a mais na nota -obviamente -e não porque você quer aprender.

Se o foco é o aprendizado, isso está sendo extremamente ineficiente. Primeiro, você tem que ter o interesse em alguma coisa para gastar horas do seu dia tentando aprender (no mínimo, tem que fazer sentido em aprender aquilo). E quando você realmente quer aprender alguma coisa, se importa em saber o porquê você errou e qual é a resposta certa (e o porquê essa é a resposta certa). A revisão é uma parte integral do aprendizado, mas no sistema de ensino atual, a revisão é apenas focada na prova.

Da mesma forma, ocorre quando você escreve um relatório e recebe uma nota 6/10 nele. Se o foco é ensinar você a condensar num texto os resultados de um projeto, não seria interessante explicar para o aluno o porquê aquele relatório merecer uma nota baixa, e deixá-lo refazer? Nas outras provas e atividades, ao invés de receber uma nota final, deixar o aluno aprender com os próprios erros, permitir que ele tenha outra oportunidade de aprender e reentregar a tarefa corrigida por ele mesmo?

Se deixar que o aluno refaça e aprenda com seus próprios erros, sem penalizá-lo de uma forma definitiva até a última data de entrega, ele vai deixar de ver a escola como uma ameaça à aprovação e boas notas, e começar a ver como um lugar para aprender com os próprios erros e melhorar a própria capacidade. Tudo isso sem retirar a responsabilidade que o aluno precisa ter, que é estudar, se esforçar e buscar o conhecimento, respeitando o professor dentro e fora da sala de aula. Além disso, seria necessário dar mais autonomia aos professores dentro da sala de aula para que pudessem retirar rapidamente todos os alunos que faltem com respeito e incomodam o restante dos alunos na sala de aula, sem que haja um grande drama pela coordenação.

A educação é a parte mais transformadora na vida de qualquer ser humano. Ela abre oportunidades e capacita qualquer um a ser o que quiser, e isso permite que qualquer pessoa chegue aonde quiser também, mas aqueles que tomam as decisões sobre o ensino aqui no país, raramente pisam numa sala de aula como professor. E a melhor forma de se ter uma boa educação numa sala de aula é sendo um bom aluno, aprendendo com um bom professor.

Alisson David Frangullys 16/MAI/2022 · 11:38 (GMT-5) texto para o dia · 07/MAI/2022