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Os grandes números

Sunday, May 8, 2022era one5 min read

This text is in Portuguese, as written.

  • Arte do texto 128/365
Original Instagram artwork — carousel posts show every slide.

Não queremos perder tempo nem dinheiro, por isso, procuramos pelas considerações de pessoas que já tiveram alguma experiência com o que estamos prestes a nos deparar, como por exemplo, na hora de uma compra, em que um maior número de avaliações se tornam mais relevantes do que o valor do produto, se ele é mais barato ou aparentemente melhor e mais bonito. Antes de clicar em um vídeo no YouTube, na primeira página, vemos qual dos 3 ou 4 têm mais visualizações, pois o que passa em nossa mente é algo do tipo “se mais pessoas viram, é porque é melhor”, certo? Errado.

Nomes, marcas e avaliações custam muito caro, elas têm um valor intrínseco por si só. Dificilmente alguém compraria um refrigerante novo na prateleira do mercado da marca “Bebida Feliz”, mas se fosse “Bebida Feliz, produto da Coca-Cola”, aí sim teríamos uma grande diferença nas vendas. O produto é igual, a embalagem é a mesma, até mesmo o nome não sofre mudança, mas o efeito de “confiança na marca” tem um valor muito grande, da mesma forma que se você pergunta para alguém que tem um conhecimento maior em alguma área, ele vai te dizer as marcas mais confiáveis para você filtrar.

Considerando o poder que uma marca tem (e essa possibilidade de testar novos mercados, pois você já tem um público fiel), podemos expandir esse conceito para outras coisas que também tem a própria marca, como páginas nas redes sociais, canais no YouTube e pessoas que prestam serviços. Estamos sempre levando em conta a experiência que outras pessoas tiveram antes de nós antes mesmo de podermos ter a nossa própria, e assim tomamos as nossas decisões. Essa força é tão poderosa, que até mesmo as pessoas próximas de nós (e que nos conhecem bem), preferem dar voz à marcas mais famosas em detrimento das nossas.

Como você está lendo isso em uma rede social, vamos tomar isso como exemplo. Temos essa página, onde este texto está sendo postado. Agora, a página conta com um número mais considerável, não faz mais parte do estágio “infantil” de uma marca com menos de 1000 pessoas. Atualmente, tem mais de 6000 pessoas que gostaram do conteúdo dessa página (marca), e a seguem. Mas o conteúdo que aqui está sendo apresentado e postado, tem a mesma qualidade de quando tínhamos apenas 27 pessoas na primeira semana de janeiro de 2022 (certo, houve uma prática maior e um refinamento com o passar do tempo, mas a essência é praticamente a mesma). Caso algo aconteça e esta página tenha 10 mil seguidores, 100 mil ou 1 milhão, o conteúdo não vai mudar drasticamente, e a essência ainda vai continuar a mesma.

Me lembro de uma ocorrência bem interessante. Modéstia à parte, na ocasião, a designer da página fez uma arte excelente para a postagem do texto 28 (imagem do tigre). Duas semanas depois, uma página muito mais famosa (700+ mil seguidores) fez uma postagem MUITO parecida, usando também um tigre. Três pessoas que eu conheço pessoalmente e que seguem a página, compartilharam a postagem da página famosa, e nenhuma delas compartilhou a dessa página (@matheus, você é uma delas). Podemos questionar que a arte é subjetiva e abstrata, mas certas qualidades podem ser comparadas diretamente, e a qualidade das artes é uma dessas coisas. O que ocorreu não foi por termos feito uma arte inferior, na verdade, a arte da nossa página foi muito superior, mas não tinha uma marca e confiança já estabelecida.

Com essa situação, uma coisa ficou bem clara: essa questão de confiança em marca vai muito além da qualidade oferecida, mas sim, da percepção do público em relação a ela. Por isso, eu tenho dois pedidos para fazer a quem estiver lendo. Primeiro, se você está tentando se fazer conhecido, divulgar e publicar alguma coisa, trabalhar na sua marca e fazê-la crescer, não desanime, mesmo que os seus amigos mais próximos não estejam investindo tanto quanto você. A única pessoa que precisa confiar no seu trabalho é você mesmo e continuar trabalhando nela, mesmo que a situação não esteja favorável.

A segunda coisa que eu quero pedir, é para você dar uma chance para aquele seu amigo que está se esforçando para fazer crescer a própria marca, página, canal, ou seja lá o que for. Apoie não somente os seus amigos, mas aqueles que você vê qualidade no trabalho. Apoiar não significa jogar dinheiro ou ficar compartilhando todos os dias o que eles fazem, mas sim, uma palavra de encorajamento, mostrar interesse e falar o que pensa. Isso dá ânimo para continuar, e às vezes mais do que um aumento de números. Ver que você está fazendo a diferença e causando um impacto positivo também tem um grande valor.

Muitas marcas por aí tem um trabalho muito bom e chegam a níveis profissionais, mas não têm nem uma fração da quantidade do público ideal, nem a repercussão que essas grandes marcas possuem. Isso não tira o valor delas, muito pelo contrário, é como encontrar uma joia no brechó. Não é por estar neste brechó e ter pouca atenção, que ela não tenha seu valor.

Espero que não tenha achado que este texto está falando mal das grandes marcas. Na verdade, se elas têm o reconhecimento que têm hoje, é pelo grande trabalho e esforço que tiveram um dia para conquistar esse lugar. O foco aqui, contudo, é para dar o reconhecimento onde é merecido. Não apenas para as grandes marcas, mas também dar atenção e respeitar o trabalho e esforço que as outras menores possuem.

Não é porque a sua quantidade de avaliações e seguidores não é grande, que você não tenha um conteúdo de qualidade para apresentar e oferecer. Essa questão de aumentar os próprios números é envolta de um jogo totalmente alheio ao conteúdo que você produz, e se não jogar de acordo, será difícil vencer.

Alisson David Frangullys 16/MAI/2022 · 16:40 (GMT-5) texto para o dia · 08/MAI/2022