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Cultura do descarte humano

Friday, May 6, 2022era one3 min read

This text is in Portuguese, as written.

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Estamos acostumados a descartar aquilo que quebra e a comprar algo novo que funciona (como discutimos no texto 117). Nossa cultura é a do descarte, grande parte do tempo concertar e tentar fazer funcionar está fora de cogitação. Além dos problemas óbvios que o planeta sofre por causa disso, essa atitude se torna uma mania, e começa a se aplicar a outras situações da vida também, levando a outros grandes problemas em decorrência disso, como tratar as relações pessoais da mesma forma.

Virou rotina expulsar da própria vida as pessoas que te desagradaram de alguma forma, e que não atendem a todas as suas expectativas. Fica mais fácil abandonar e voltar à procura ilusória de “alguém perfeito”, do que tentar conversar e resolver os problemas, principalmente quando está no início de um relacionamento amoroso. Relacionamentos saudáveis são construídos com tempo, empatia e paciência, e não da noite para o dia.

Por colocar as expectativas no topo, esperamos sempre pela pessoa mais perfeita possível, que nos complete de alguma maneira, mas a realidade é que ao invés de encontrar tal pessoa perfeita, temos uma lista de problemas que esse tipo de mentalidade trás. Esquecemos que nós mesmos não somos perfeitos, e estamos em constante evolução, e de que nem nós, nem os outros, são descartáveis.

Os relacionamentos têm altos e baixos, esperar que esteja sempre em alta é viver num mundo fictício e idealizado. Todos temos defeitos e qualidades, e nem sempre é compatível num primeiro momento com a outra pessoa cuja estamos nos relacionando. Por esse motivo, estamos sempre nos adaptando, e nos moldando, reciprocamente, aceitando cada qualidade, e cada defeito.

É de se esperar que haja conflitos, até mesmo mágoas, com o avanço de um relacionamento. Mas isso não é motivo o suficiente para abandonar e fingir que nada nunca existiu por causa de um conflito – isso é imaturidade, e falta de capacidade de estabelecer uma conversa séria -. Se algo é importante, temos que aprender a consertar e fazer funcionar, e não apenas jogar no lixo e buscar outro.

Sim, as vezes temos que descartar aquilo que claramente nunca vai funcionar e que não tem conserto, pois também não temos que nos obrigar a carregar algo que não traz nada de positivo nas costas, mas assim como todas as coisas, ter a noção do quais são e de como evitar os extremos, é essencial. E neste caso, a balança pende mais para o lado de descartar sem tentar resolver os possíveis problemas, do que pôr as cartas na mesa e ser franco um com o outro.

Alisson David Frangullys 15/MAI/2022 · 23:00 (GMT-5) texto para o dia · 06/MAI/2022