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O ciclo do começo ao fim
This text is in Portuguese, as written.
Conhecemos o fim como a última instância, quando acaba, englobado num vácuo eterno de puro “nada”, o fim dos meios. Mas esquecemos que o fim também é um recomeço, uma oportunidade de florescer, a continuação dos meios, um capítulo ou até mesmo um volume novo.
Desconsideramos uma das leis mais importantes da natureza escritas por Lavoisier, que diz “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Focamos a atenção na crença de que no final tudo se perde, e é deixado de lado toda a beleza daquilo que se transforma, seja qual for o “fim” em questão, de um relacionamento terminando, do último dia num emprego, da última vez que riu junto e conversou com um velho amigo ou do derradeiro momento da chegada inevitável da morte.
A atenção é voltada naquilo que foi perdido, no que não pode mais ser acessado e que nunca voltará a ser como era. É inevitável que a dor venha nessas condições, que a tristeza faça a sua morada e até mesmo permaneça, perdendo assim todo o brilho daquilo que um dia foi por ter deixado de ser.
As boas memórias, aprendizados, do tempo de qualidade e de todo momento ficarão sempre registrados no livro da existência, que viu da massiva extinção de várias espécies e do ressurgimento de novas, da dominação humana e das mudanças que isso causou, do surgimento de um tirano e da sua queda, do início de um relacionamento até o seu fim, do nascimento até a morte. Nada escapa da existência, da história, do cerne da vida.
Quem sabe ao invés de pensar naquilo que não é mais, refletir naquilo que foi. Das celebrações que existiram, das palavras bonitas, dos momentos engraçados e das diversões compartilhadas, pôr em evidência o riso, a graça, a alma daquilo que fez parte da sua história. Em outras palavras, pensar naquilo que ficou, que ainda é, de honrar o legado deixado.
Aquilo que não se perde também não se criou, foi uma forma de energia que se transformou, deixou de ser da maneira que um dia conhecemos, mas que ainda permanece, pois ela ainda vive e sempre viverá, porém na sua forma e de maneiras que nem sempre compreendemos.
O final de uma etapa pode ser o começo de uma nova. Uma morte pode ser o início de uma nova vida. E o melhor que podemos fazer neste período de transição é não se segurar na dor que a falta traz, mas sim na alegria que a existência trouxe.
