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Um último conto sobre o amor
This text is in Portuguese, as written.
O amor, o verdadeiro amor, ultrapassa todas as barreiras. Traz o altruísmo e sufoca o egoísmo. Não é necessariamente o amor romântico que forma casais, mas aquele que une os desunidos, que cria uma ligação, uma conexão, que traz vida, sentido. O amor também evoca outros sentimentos nobres, como a admiração e o respeito, o carinho e a honradez, e forma histórias memoráveis. É verdade que nem toda história vem acompanhada necessariamente de um final feliz, mas graças ao amor, podemos dar a esse enredo um final digno, honrável.
Alguns dizem que o amor não existe, pelo menos não dessa maneira. Que é apenas um sentimento proveniente de um interesse, seja sexual, financeiro, ou um subproduto da carência. Mas eu não acredito em nada disso, até mesmo por eu mesmo ser um amante. Um amante de tudo, desde as mulheres com as quais me relacionei romanticamente até as que eu quis me relacionar, mas nunca tive o privilégio. Um amante da minha família, e o maior fã dos meus amigos. Um amante da vida, de uma maneira geral, da natureza e de outras vidas como os animais e toda forma de existência. Além de um amante de todas essas coisas, um observador atento, um torcedor fanático, enfim, um amante da vida.
Um antigo ditado que diz algo assim: “E aqueles que foram vistos dançando foram julgados como loucos por aqueles que não podiam escutar a música”, se aplica para os que desacreditam no poder do amor. Não discordo de todas as mudanças que podem ser vistas como loucura por aqueles que não estão apaixonados. Afinal de contas, todos os sacrifícios feitos nos relacionamentos, concessões e moldagens recíprocas podem ser vistos dessa maneira, como uma loucura.
O mesmo acontece para aqueles que desacreditaram no amor por terem tido seus corações arrancados do peito por aqueles que, algum dia, fizeram juras de amor eterno. Voltamos mais uma vez na conclusão de que nem toda história tem um final feliz, mas nem toda história acaba quando chega ao fim. Existem tantos recomeços pendentes, tantas histórias para serem contadas, tantas aventuras a serem desbravadas! Tem tantos “issos” e tantos “aquilos” no final… Tem tantos “tantos” que até perdi conta.
Mas esse recomeço, essa recontagem de um novo capítulo e do início de uma nova jornada só acontece com aqueles que têm a coragem e sabedoria de colocar um ponto final nas histórias, de dar o primeiro passo em direção à abertura de uma nova página, ao começo de um novo parágrafo. É a sabedoria em reaprender a escutar a música e dançar na sua fluidez, ao invés de julgar aqueles que ousam dançar sem ligar para os dedos apontados. O recomeço não é um direito, mas sim um privilégio dos ousados, dos esperançados que venceram o próprio medo de amar, de reconhecerem o amor, e de serem amados.
