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309/365

Três eus

Saturday, November 5, 2022era two3 min read

This text is in Portuguese, as written.

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Se formos dividir a raça humana a partir do grau de bondade, 50% das pessoas seriam boas (10% dessas seriam super boas e no topo, o 1% seriam pura benevolência), e a outra metade seguiria a mesma lógica: 50% das pessoas seriam más, sendo 10% muito más, e 1% seria o mal encarnado. Em cada uma dessas separações, as pessoas fariam coisas grandiosas pela humanidade, isso é até uma questão de probabilidade, e a história que é contada dependeria da visão de quem sairia vitorioso.

A história é escrita por aquele que vence a guerra, a verdade pouco importa nessas situações. Com o passar do tempo, o que é contado é a narrativa que melhor enquadra a visão do vencedor, e depois de algum tempo, o que realmente aconteceu é deixado de lado. Dependendo de como os acontecimentos são passados adiante, o mais cruel dos homens pode se tornar bom, e o melhor dos homens pode ser perpetrado como o mal encarnado. Diariamente, o mesmo acontece em uma escala menor.

Quando vamos contar uma história, por exemplo, sempre apresentamos os fatos da forma como eles aconteceram perante a nossa visão, mesmo quando tentamos ser neutros. Alguns detalhes são ignorados, até mesmo porque eles passaram despercebidos e nunca foram absorvidos, mas seriam de extrema importância para se ter os fatos em mãos de forma neutra.

Uma forma de falar, uma expressão mal colocada num diálogo, um exemplo pobre numa explicação, até mesmo a ênfase que foi dada em uma palavra ou tópico fazem toda a diferença, visto que a maior parte de uma conversa é a linguagem corporal e a forma como certas coisas são ditas. As palavras são meros instrumentos para transmitir um significado.

Toda história possui três lados, até porque existem três versões suas. A forma como você se vê, como os outros que interagem com você te veem, e como você realmente é - o mesmo acontece com toda e qualquer história que se vive. E é extremamente raro alguém se ver como realmente é.

O ser humano sofre de uma epidemia natural de acreditar que está certo na maioria dos casos, e sofre de uma resistência inata para pensar sobre os acontecimentos e refletir se estava realmente errado ou não em algum momento. É como se a aceitação de que estava errado fosse algum tipo de demonstração de fraqueza que resultaria em vida ou morte, resultando numa visão unilateral dos fatos, até mesmo os que incluem a própria vida.

Atingir um estado de clareza mental que seja o suficiente para retirar todo o ego, juntamente com qualquer sentimento que leve à autoproteção e desapego das situações vividas exige muita prática e paciência, e assim como qualquer aprendizado, existe muito estudo sobre erros e acertos a serem feitos. Portanto, estar consciente e ativamente trabalhando nisso já é meio caminho andado para atingir um objetivo.

Alisson David Frangullys 07/NOV/2022 · 01:37 (GMT-5) texto para o dia · 05/NOV/2022