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300 Espartanos

Thursday, October 27, 2022era two2 min read

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Não sei quando será o meu último dia nesta terra, pode ser que seja daqui a 50 ou 100 anos, ou que seja hoje mesmo. Mas a minha morte pouco importa. Eu vivi uma boa vida e, quando for a minha hora de sentir o doce beijo da morte, estarei calmo. A calma, em tempos difíceis, representa força. É uma forma de dizer, sem abrir a boca, que você é capaz de lutar.

Não tenho muitas posses. Tudo o que usei durante a minha vida me foi provido pela natureza e a sua graça divina. O que acumulo não são objetos, mas sim experiências, ou “vivências”, como diriam os mais antigos, e cada uma delas carrego comigo em vida, pois elas me definem e me fazem quem hoje sou. A verdadeira riqueza de um homem reside nos seus valores e na sua moral, não nas suas posses e dinheiro.

Não muito tempo atrás, enquanto caminhávamos para mais uma batalha, meu companheiro me perguntou se eu vivia uma vida feliz, sujeito engraçado. Mas quando percebi que ele estava falando sério, apenas lhe respondi que o papel de um homem é se tornar mais forte, e não de ser feliz, esse é um luxo que poucos podem desfrutar sem ter vivido no seu potencial máximo. Ele deveria saber disso, já que teve o mesmo propósito que eu desde nascença: sobreviver.

Não lembro quando não senti dor no meu corpo, sejam das batalhas ou dos treinos constantes, até mesmo a fome, em momentos de pouca provisão, ou do extremo frio ou calor que encontramos pelo caminho. Eu, assim como todos que andam comigo, somos verdadeiros sobreviventes, tanto das guerras que participamos, quantos das intempéries da vida.

Não passando de apenas mais um guerreiro dentre tantos, reconheço que faço parte dos mais formidáveis do mundo. Sei que sou um representante de um povo que fez um falso Deus-rei sangrar, que tem um relacionamento íntimo constante com a morte, e que se banha da glória no sangue inimigo como espólios de guerra.

Não sei quando será meu último dia nesta terra, mas quando esse dia chegar, pode apostar que estarei preparado, mas antes do meu último suspiro, irei fazer o que sei fazer de melhor: desafiar a morte para mais um combate. Se por algum motivo ela ganhar, deixá-la-ei escapar e fazer o seu trabalho. Assim, meus descendentes poderão fazer os seus próprios nomes, e continuar com o legado do meu povo.

- Frangullyphs, de Esparta.

Alisson David Frangullys 30/OUT/2022 · 22:42 (GMT-5) texto para o dia · 27/OUT/2022