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Mundos pessoais e conexões

Tuesday, September 27, 2022era two4 min read

This text is in Portuguese, as written.

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Cada pessoa carrega o seu próprio mundo consigo, como se fosse um universo a parte, que compõe todas as coisas que se conhece, sente, pensa, gosta e desgosta. Esse mundo é formado por escolhas e aprendizados que vamos tendo durante a vida e pela forma como enxergamos, e também como nos enxergamos no mundo. Então, podemos dizer que carregamos um mundo inteiro dentro de cada um de nós.

Cada mundo é dividido em camadas e seções, com suas partes boas e ruins, e nós navegamos entre cada uma delas diariamente. Cada sessão é diferente da outra e possui nossos humores, que flutuam e mudam durante o dia. Cada camada, como uma cebola, representa a intensidade de cada um desses humores e segredos que guardamos. Quanto mais perto do núcleo, mais profundo e intenso é.

Alguns mundos são bem abertos, outros são fechados. Alguns podem ser acolhedores, vibrantes e coloridos, cheios de amores e risos, e outros frios e indiferentes, desolados e escuros. Tudo depende do estado atual desse universo pessoal, pois a parte mais visível do mundo que formamos é a nossa essência naquele momento.

Cada um desses universos é único por causa dos nossos interesses aleatórios naquilo que gostamos, que nos levam a caminhos muito atrativos e únicos, e acabam formando combinações bem inesperadas. Mesmo que dois mundos sejam semelhantes, vão existir elementos que os diferenciam, sejam pelo grau de interesse e intensidade, ou por alguma forma de preferência destacada.

A parte mais intrigante é quando existe a conexão verdadeira com alguém, e esses mundos são compartilhados, pois ao entrar nesse novo universo, se conhece o universo de outra pessoa. Quanto maior o grau de intimidade que se tem com alguém, mais camadas desse mundo vão sendo abertas, e mais verdadeiramente se conhece essa pessoa.

Algumas vezes, encontramos um mundo que por fora é alegre e animado, mas perto do seu núcleo é triste e solitário. Fazendo sentido o ditado popular “nunca julgue um livro pela capa”, temos universos que são externamente feios e caóticos, mas que por dentro são acolhedores e cheios de amor, como uma porta velha e quebrada que leva a um belo campo de flores. Assim como certas intenções que parecem boas, mas internamente são as piores possíveis, e ficam escondidas por diversas camadas de mentiras e ilusões.

Ao mesmo tempo que fazemos parte deste grande planeta, vamos criando nossos universos pessoais como bolhas ao redor do nosso ser, externalizando certas partes do que é importante e representa o que queremos que os outros vejam de nós mesmos, para assim atrair pessoas com mundos semelhantes para compartilhar nossos mundos criados.

Em cada um de nós existe muita beleza não vista e muitas câmaras secretas que escondem situações, pensamentos e situações nas quais não temos muito orgulho e não queremos mostrar. Às vezes, não queremos nem lembrar que elas existem e fazem parte de nós. Estamos sempre buscando melhorar esse mundo, mas não adianta se estamos apenas jogando uma tinta na parede para encobrir as imperfeições e varrendo toda a sujeira para baixo do tapete. Assim, nossos mundos não mudam.

Enquanto navegamos pelo nosso destino carregando nossos universos pessoais, escolhendo nossos caminhos e tomando cada decisão, vamos deixando um rastro no mundo de outras pessoas. Fazemos parte de cada mundo que nos conectamos, mesmo que por um breve instante na história, em que dois círculos se intersectam e compartilham algo em comum, crescendo cada vez mais e se tornando um só, ou simplesmente continuando o seu rumo e se desconectando totalmente pelo caminho.

Mas, como um lembrete, cada universo criado é apenas parte de um universo como um todo. Somos apenas parte de uma parte que, na sua minúcia, compõe um todo, que está sempre em expansão e criação. Limitar a própria vida a esse mundo criado é ignorar tudo o que tem disponível e que é oferecido pelo verdadeiro universo e pela natureza. É como uma sala cheia de tesouros em que se decide deixar inexplorada, pois se houve contentamento com as primeiras moedas douradas encontradas.

O universo tem uma infinidade para oferecer, e cada pessoa tem um universo próprio para apresentar. Você tem o seu para todos os dias fazer a manutenção, modificar e expandir. E, no final de tudo, estamos conectados de uma forma ou de outra, seja pelas nossas semelhanças ou pelas nossas diferenças.

Alisson David Frangullys 09/OUT/2022 · 12:49 (GMT-5) texto para o dia · 27/SET/2022