WallSeptemberconexões e relações
261/365
Monólogo 22 de 2022 – A idade chega para todos
This text is in Portuguese, as written.
Note from the Monologues series
Todos os dias terminados em 0 (ou algo assim) terão textos de cunho muito pessoal aqui na página. Não há necessariamente um objetivo firmado e concreto nos textos desses dias. Como diria um amigo meu: “Conheça o autor e entenderá a sua obra”.
A idade chega para todos. É até meio absurdo dizer isso na segunda metade dos vinte e tantos anos, mas a diferença é bem notável (principalmente quando é para pior). Uma dor nas costas aleatória por ter feito algo de mal jeito, o joelho pedindo arrego durante algum exercício físico mais intenso, e até mesmo aquilo que antigamente era muito fácil de fazer, como passar a madrugada toda jogando video game, tornou-se extremamente difícil de se fazer agora.
Acho que o mais engraçado é a quantidade de sono que se torna necessária. Durante a adolescência, não era problema nenhum ficar sem dormir por um dia todo se precisasse, ou pelo menos dormir uma ou duas horas para aguentar o dia. Hoje, se durmo menos de 8 horas, acordo extremamente quebrado e com ódio do mundo, e permaneço assim o resto do dia até que eu finalmente durma o suficiente.
Outras coisas são tristes, como finalmente ter conseguido comprar algo que eu sempre quis quando criança, como um celular bom e um computador que não travasse, uma televisão grande de alta qualidade, um video game de última geração com algum jogo que eu quisesse muito jogar, mas não ter tempo ou disposição para aproveitar daquilo que eu finalmente consegui ter. Quem diria que esse dia iria chegar.
Outras questões também mudaram, mas essas são mais sutis (e para melhor, eu diria). A forma como eu gasto o meu tempo agora é melhor (pelo menos é o que eu acho). Provavelmente, tudo relacionado com “aproveitar mais/melhor” o meu tempo, seja numa viagem ou com os meus amigos, até mesmo as conversas agora parecem ter mais peso do que antes, e isso é notável quando encontro ou converso com alguém que não vejo há muito tempo.
Muitas atividades que antigamente eram muito mais animadoras, como assistir a um filme ou jogar algum jogo, pareciam trazer uma quantidade maior de felicidade, talvez pela novidade (por eu ter poucas experiências de vida até então), ou por estar vendo uma história nova se desenrolar sem muitas expectativas. Hoje, parece que eu me animo menos para isso. É como ficar rodando a lista de centenas de filmes e seriados disponíveis na Netflix, e dizer que “não tem nada para assistir”, assim é com os jogos.
Outras coisas eu já tomo por garantido, como por exemplo, se eu estiver andando no shopping, e der vontade de tomar um sorvete, terei condições de ir e comprar, diferente de como foi na maior parte da minha vida, quando eu guardava dinheiro por muito tempo para poder comprar uma casquinha de sorvete. Hoje, já não preciso mais me preocupar com isso.
Na realidade, a maioria das qualidades vem do conforto que eu posso me dar o luxo de ter, com o maior conhecimento que adquiri (que me permite dar prioridade a certas coisas e ignorar outras), e com o aproveitamento geral que agora parece ser maior e melhor. São boas vantagens, mas vou terminando o texto por aqui, porque meus olhos e costas já estão doendo!
Alisson David Frangullys 17/OUT/2022 · 20:21 (GMT-5) texto para o dia · 18/SET/2022
