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Um ano sem trabalhar
This text is in Portuguese, as written.
Desde que eu me mudei e precisei começar a trabalhar aos 17 anos, nunca tive mais do que um mês de folga. Dentre os vários tipos de emprego em que eu estive, sempre procurei por uma oportunidade melhor em questão de salário e conforto, mas nunca parei de trabalhar. Na realidade, foi quase que um caminho inverso, pois quando a pandemia realmente estourou, foi quando eu arranjei mais um emprego e estava trabalhando cerca de 18 horas por dia enquanto terminava a graduação.
No último ano da faculdade, decidi que não ia mais trabalhar até me formar. A insanidade que é tentar aprender uma matéria nova muito complicada (Eletromagnetismo) enquanto você tem que se preocupar em trabalhar, é uma das situações em que você não vai querer se encontrar durante a sua vida adulta. Me planejei adequadamente e guardei dinheiro no banco o suficiente para pagar os cartões de crédito que eu sabia que teria que usar e abusar pelos próximos meses, e assim foi o começo do meu um ano sem trabalhar.
Vida social era uma lenda desde que eu entrei no ensino superior. As únicas interações sociais que eu tinha eram durante o trabalho e durante as atividades em grupo na faculdade. Durante o restante do tempo, eu estava trabalhando ou estudando. E é por isso que eu digo que eu “vendi” a minha juventude, pois eu realmente não vivi durante esse período. É a velha história que se escuta sobre o sujeito trabalhar muito para comprar um computador muito bom e um novo Playstation, mas não ter tempo para usá-los.
Ao longo desse ano sabático, tive a oportunidade de viajar e curtir a vida pela primeira vez em toda a minha fase adulta. Parece loucura dizer que eu nunca vivi de verdade até os meus 26 anos, mas essa é a realidade. Viajei e conheci novos lugares enquanto terminava a graduação à distância, ou ia duas vezes por semana até a faculdade no último semestre. Conheci novas pessoas e experimentei comidas diferentes, visitei meus amigos e estudei em paz.
Foi um sossego inacreditável, que me fez perceber o tanto que perdi durante esse tempo todo. Abrir os olhos e ver o quão vasto é o mundo e o tanto de oportunidades que têm disponível para você aproveitar é impagável. E assim segui por praticamente um ano. Trabalhei sério de forma remunerada por no máximo 7 dias durante os últimos 365 dias até começar recentemente, depois de formado, no meu novo emprego.
Se aprendi algo e posso compartilhar com vocês sobre essa experiência de tirar “um ano sabático” é de que, tão importante quanto estar focado e trabalhar em direção ao seu objetivo, é aproveitar a sua jornada durante o caminho. Tirar um tempo para si e aproveitar as conquistas, sejam elas quais forem, é essencial para recarregar as energias para seguir adiante. Aproveite daquilo que você conquistou, e não deixe que a sua vida seja apenas trabalho ou estudo. Curta a jornada!
E agora vou voltar à famosa rotina de trabalho, mas não tenho mais que fazer um malabarismo entre a faculdade e a quantidade de sono que eu poderia ter por noite. Às vezes, querer ir mais rápido do que você deveria faz com que mais atrasos ocorram do que se tivesse tomado um caminho mais cauteloso e demorado.
Enquanto um ano é um tanto quanto exagerado para a maioria das pessoas, se você tiver uma rotina insana e árdua, e ter a oportunidade de ficar pelo menos 2 meses em paz para estudar, assistir o que quiser e aproveitar a sua vida como tiver vontade, faça.
Alisson David Frangullys 25/SET/2022 · 16:39 (GMT-5) texto para o dia · 03/SET/2022
