WallAugustaprendizado e senso crítico
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Relativismo tosco
This text is in Portuguese, as written.
O texto de hoje vai ser mais pesado.
Filosofia moral é o estudo de como nós deveríamos viver, em questões éticas em respeito à dignidade e à condição humana. Dentro dessa vertente filosófica, temos várias teorias que tentam explicar algumas formas de pensamentos. Com o pensamento crítico algumas teorias são eliminadas e outras fortalecidas. Uma dessas vertentes (e provavelmente a mais antiga delas) pertence ao relativismo, que diz que o certo e o errado dependem somente da cultura local.
Seguindo o relativismo, “a verdade” depende do ponto de vista. Isto é, do meio em que a pessoa foi criada. E, por isso, não há uma verdade que se sobressairia sobre as outras (verdade objetiva), sendo o “correto” o padrão daquela sociedade em que o indivíduo está inserido, ou seja, aquilo que é seguido pela maioria. Nessa linha de raciocínio, a moral é apenas uma convenção social e “se a maioria das pessoas está fazendo, então está certo e tudo bem”.
Contudo, se estivéssemos regrados baseando-nos no que todos fazem, tudo seria sempre igual e, mudanças no governo e na sociedade seriam sempre erradas, por estarem indo contra “à normalidade social”, assim sendo qualquer reforma estaria indo contra ao que é aceito pela sociedade até que uma grande mudança no pensamento generalizado ocorra.
Hoje mesmo na sociedade discordamos de algumas leis e estamos constantemente mudando nossas perspectivas acerca delas. Poucas décadas atrás as mulheres não tinham direito a voto e as crianças não eram dignas perante a lei, mas com o passar do tempo essas minorias ganharam voz e as coisas mudaram.
Assim fica mais claro ver que nem sempre a maioria está certa, mesmo que seja uma cultura local. E por tal motivo, não devemos aceitar nem achar correto algumas ações de algumas sociedades como alguns tiranos fascistas que chegam ao poder e querem dizimar uma certa raça ou religião. Ou até mesmo quando por centenas de anos pessoas são apedrejadas ou tratadas com a antiga Lei de Talião “olho por olho, dente por dente”. Certos pensamentos tenham sido aceitos e algumas leis impostas em certas épocas por alguma necessidade ou pensamento coletivo, mas isso não quer dizer que elas sejam eficientes ou social e moralmente corretas e, muito menos, virtuosas.
Um argumento a favor do relativismo, contudo, seria que alguns costumes sociais são arbitrários e inofensivos e não teríamos como objetivar que uma cultura seria melhor do que a outra durante um comparativo, pois certos costumes não fazem diferença. Por exemplo, mesmo com a existência de diferentes hábitos, porque uma sociedade que tem o costume de comer o próprio tatu (o que pessoalmente acho ser um tanto quanto nojento), seria melhor do que a outra que não teria esse costume? Sendo que isso não afeta em nada a moral e a rotina desse povo. Mas esse tipo de comparação é infrutífera e não serve como base para a discussão do assunto. As duas civilizações tomaram decisões sem a possibilidade de comparar objetivamente qual seria a melhor, sendo arbitrário.
Mas quando você consegue justificar as suas ações e apoiar seus julgamentos através das razões, podemos ver facilmente que não se trata meramente de uma questão de diferenças sociais, mas mais arraigadas à lógica e ao pensamento crítico. E, na grande maioria das comparações, podemos sim fazer a distinção de qual característica é objetivamente melhor do que a outra. A verdade não depende de um único ponto de vista ou a de uma sociedade
Não é difícil de explicar o porquê a honestidade e o respeito pela vida humana são qualidades que prezamos e esperamos dos nossos próximos. Da mesma forma que podemos dizer que uma sociedade é melhor que a outra quando existem mais oportunidades para a população e não existem distinções de cor, gênero ou classe para tais oportunidades (ou algo mais severo como a aceitação da escravidão numa sociedade).
Discussões sobre o tema podem ser feitas de forma objetiva (isso é, buscando entender o porquê algo é melhor do que o outro), e assim comparando, se torna evidente a baixa qualidade de um código ético e moral quando uma sociedade possui (ou não) certas características, deixando de ser apenas de uma forma subjetiva (especulação) sobre o código moral de uma sociedade em particular.
Alisson David Frangullys 26/AGO/2022 · 16:25 (GMT-5) texto para o dia · 14/AGO/2022
