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184/365

História da moça da foto

Sunday, July 3, 2022era two4 min read

This text is in Portuguese, as written.

  • Arte do texto 184/365
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Colocando a xícara na mesa e olhando para o relógio, ela expressa com a voz séria:

- Foi muito bom te ver de novo, mas logo tenho que ir.

- Foi bom mesmo, espero que a gente possa se encontrar de novo em breve. –

Respondeu a sua amiga enquanto sorria com os olhos semicerrados.

- Antes de você ir, me conte, como você está em relação a “você sabe quem”. - falando a última frase quase num suspiro, imitando o que tinha visto num filme.

- Ah, tô bem! Superei isso já... – retrucou, com o olhar distante, e com certa insegurança na voz, sem querer empurrar muito a conversa, ela perguntou casualmente:

- Não teve mais nenhuma notícia também?

- Depois que eu deletei ele de todas as redes sociais eu não fui mais atrás, não. Já faz 3 meses que não sei nada a respeito.

- Ah, que bom que você está melhor, é melhor manter a distância mesmo, né?

- Foi bom, mas acho que eu não me importaria mais, vamos ver se algo mudou.

Pegando o celular do seu bolso, começou a digitar freneticamente e logo abriu as redes sociais e encontrou aquele que procurava. Algo ali estava diferente. Sua amiga chegou e encostou-se ombro a ombro para também ver a tela. Algumas fotos novas foi tudo que ela conseguiu ver.

Numa dessas imagens ela notou uma mão encostada na cintura dele. Apesar desse vestígio, a foto estava recortada, impossibilitando a identificação da pessoa. Será que ele estaria com alguém? Como poderia…? Três meses era tão pouco tempo... ou será que “o pouco tempo” seria mais do que necessário? Não tinha como saber, a única certeza era o sofrimento enfrentado durante esse período.

BZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ

O alarme começou a tocar, estava na hora de ir.

- Acho que essa é a minha deixa, me liga, vamos marcar algo de novo. Foi bom te ver, estava com saudades e confesso que fiquei surpresa com a sua ligação para sairmos, mas foi muito bom te ver!

- Foi bom mesmo, e vamos sim, eu te ligo de novo qualquer dia desses pra gente colocar o papo em dia!

- Tchau! – Disse ela guardando o celular no bolso com um braço, e dando um semi abraço com o outro.

- Tchau!

Andando rápido para não perder o ônibus, evitando os pensamentos que certamente viriam em breve, apertou o passo, focando apenas no movimento das pernas enquanto andava até chegar ao seu destino e pegar o ônibus que chegou ao mesmo tempo que ela.

Ao pagar a passagem e sentar-se a janela, exasperou profundamente, não tinha mais como escapar agora. Ela tinha cometido um erro, e sabia disso. Tirou o celular do bolso mais uma vez e colocou no colo. Realmente tinha pensado que não seria um problema olhar as redes sociais e finalmente tinha uma desculpa para fazê-lo quando a sua amiga perguntou, mas não pensou que seria tão danoso quanto foi.

Foram como facas afiadas entrando no seu peito, como se o ambiente tivesse subitamente mais gelado, o coração apertado, um sofrimento que a seguia a muito tempo e apareceu mais uma vez ao ver o que viu. Tudo isso surgiu como se tivesse acendido uma luz pelo interruptor, ou ter apertado o gatilho de uma arma, com a bala saindo pela culatra e rasgando o peito por dentro, da forma metafórica mais dolorida possível.

- Algumas coisas devem realmente serem deixadas de lado e intocadas. - Pensou enquanto refletia sobre os momentos anteriores. Mesmo com algumas coisas não fazendo sentido, como aquela mão na cintura e o pouco de pano no canto da foto cortada, ela tinha a vaga impressão de que conhecia aquela roupa.. No entanto, decidiu não pensar muito nisso, ela tinha medo de que a resposta fosse um sim.

Intimamente, outras perguntas já tinham respostas. Um trimestre não bastou para seguir em frente e, se atualizar sobre este alguém que ficou no passado, foi um tremendo de um erro.. Quem sabe, foi por ter visto que ele poderia ser feliz sem ela ou que ele tivesse encontrado alguém e não teria a menor chance de ficarem juntos novamente... Enquanto o ônibus fazia seu trajeto, ela olhava pela janela, com a esperança de que aquela angústia a abandonasse em breve

Alisson David Frangullys 28/JUN/2022 · 12:33 (GMT-5) texto para o dia · 03/JUL/2022