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Burnout

Wednesday, June 22, 2022era one3 min read

This text is in Portuguese, as written.

Aquela sensação de que não consegue mais seguir adiante. Independente do que aconteça, você simplesmente está esgotado e sem energia. Isso geralmente acontece quando se tem muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo, e parece que elas ficam extremamente pesadas e começam a te esmagar por todos os lados. Você fica estressado, com os sentimentos à flor da pele, só quer fazer algo diferente que não exija nada do cérebro, como ver vídeos e deitar.

Ter que fazer muito de alguma coisa tem esse efeito negativo que esmaga qualquer um, mesmo que seja uma tarefa que se ame do fundo do coração e pela qual seja apaixonado. A cobrança extrema, o nervosismo, a necessidade de manter um padrão elevado e a sobrecarga dessas tarefas fazem com que até as mais prazerosas atividades se tornem um peso. Por mais talentoso que alguém seja, quando chega nesse ponto, uma espécie de “minitrauma” se cria, e um distanciamento é feito.

Eu vi isso acontecendo com a melhor cantora que eu já conheci, com o trabalhador mais dedicado que eu já trabalhei junto e até eu mesmo me sinto dessa forma (neste exato momento, escrevendo este texto, depois de ter escrito outros 12 nos últimos 2 dias e meio). O termo em inglês para isso é Burnout, e uma tradução ruim e não literal para a expressão seria “esgotamento”. Podemos imaginar como se fosse um fósforo que queima e não consegue fazer mais nada, e é o que acontece.

Mesmo que essas cobranças criem excelência e um alto padrão, se você esquece o porquê de estar se dedicando tanto e o quanto ama o que faz, tudo perde o sentido. Dependendo da severidade do stress causado em certas pessoas, a retomada de uma rotina pode demorar. É preciso levar em consideração como cada pessoa lida com esses problemas, e o quanto emocionalmente e fisicamente são afetadas por suas consequências.

Não existe um segredo ou uma fórmula mágica para evitar essa fadiga toda. Das primeiras vezes que isso acontece, é até bom para entender e aprender qual é o seu próprio limite até que você tenha treinado o suficiente para conseguir suportar o que vem depois. Ficar cruzando essa linha de uma forma despreparada é pedir para ser um profissional extremamente talentoso que abandonou o que mais amava por ter se pressionado muito.

A minha dica para isso é fazer alguma outra coisa que goste e que seja produtiva, para evitar ficar dentro da própria cabeça, circulando os próprios pensamentos e se juntando ao imaginário coletivo de que você é apenas preguiçoso e não quer fazer o que tem que ser feito. Quem se encaixa nisso raramente começa, e se começa, não dura mais que alguns poucos dias, e nunca mais faz novamente. Tenha paciência consigo mesmo.

Retome suas atividades de leve, pelo gosto do que faz - assim como foi no começo -, tire as expectativas que você mesmo jogou nas costas, juntamente com a falsa sensação de obrigação de excelência absoluta o tempo todo. Faça por você.

Alisson David Frangullys 23/JUN/2022 · 16:17 (GMT-5) texto para o dia · 22/JUN/2022