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Resumo não é obra

Saturday, June 18, 2022era one3 min read

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Diversos tipos de arte proporcionam uma experiência única para aquele que a está consumindo, seja através de uma música, um livro, um filme, uma peça, ou seja lá o que for. E, apesar de algumas serem melhores que as outras num sentido crítico e qualitativo, o que mais importa é se entre a arte em si e a pessoa que a está consumindo, tem aquele “clique”, uma ligação que desenvolve o interesse, e um estado de espírito único, cuja importância é maior do que qualquer qualidade técnica.

Isso acontece porque cada pessoa tem uma bagagem que carrega consigo e, naturalmente, uma forma única de ver o mundo, e pelo mesmo motivo, alguns se identificam e são mais inclinados que os outros a certos gêneros artísticos. É o caso de alguém que ama música clássica e detesta sertanejo universitário, ou do amante do rock que detesta funk.

Quando discutimos sobre gostos e opiniões, temos que ter isso em mente o tempo todo, mas mais importante, quando interpretamos alguma coisa, temos que ter a mesma mentalidade em prática. Um mesmo conteúdo pode gerar grandes discussões acerca de uma determinada opinião do próprio autor. O clássico caso brasileiro é sobre o livro do Machado de Assis, se a mulher traiu ou não.

Ora, as opiniões podem divergir tanto, que até guerras podem ser travadas, como é o caso da Bíblia e as diversas religiões que a utilizam como livro principal (vide evangelismo e catolicismo). Cada um enxerga o mesmo ponto de interrogação de forma diferente, e fazer uma classificação e/ou resumo num primeiro momento contando com todas as variáveis e probabilidades é praticamente impossível.

É aí que entra um problema com resumos. Seja por páginas em redes sociais, vídeos no YouTube, ou longos textos espalhados pelo mundo afora. Quando um resumo é criado, o que é considerado importante e irrelevante é baseado na opinião do autor do resumo, o que já causa certos problemas por si só. Certos detalhes, que são irrelevantes para alguém, podem ser a única coisa que faltava para ter o dito “clique” com a obra. Certas visões podem ser apenas interpretações que alguém teve, não sendo necessariamente o que o autor original quis dizer, e o que sempre me vem à cabeça é Nicolau Maquiavel e o que ele escreveu em seu livro intitulado “O Príncipe”.

Assistir vídeos de resumos não é totalmente sem sentido, pois pode ocorrer dos nossos amigos não compartilharem dos mesmos gostos que a gente e por isso, não termos com quem conversar sobre o que acabamos de ler ou ver. É legal relembrar alguns pontos e ver qual é a opinião que outra pessoa tem acerca do mesmo assunto. Contudo, tomar isso como única forma de consumo de um conteúdo é deixar de lado muitas informações que, na maioria das vezes, fazem com que se perca o sentido e toda a graça que poderia ser proporcionada.

Ao ler e assistir a resumos “famosos”, você começa a discordar do autor da resenha em diversos pontos, ao mesmo tempo que também consegue ter uma visão diferente e expandir ainda mais o conhecimento adquirido através da obra original. É quase como ter uma discussão com um amigo que consumiu tal obra, o que é benéfico, mas sendo necessário interagir com o conteúdo principal antes de tudo.

Resumos são bons em situações específicas, mas é impossível tirar conclusões sem ter experienciado por si mesmo o que o autor quis passar. É como um telefone sem fio em que a informação é repassada de forma distorcida, ficando bem diferente daquilo que saiu originalmente.

Alisson David Frangullys 22/JUN/2022 · 14:26 (GMT-5) texto para o dia · 18/JUN/2022