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Monólogo 8 de 2022.

Wednesday, March 30, 2022era one4 min readmonologue

This text is in Portuguese, as written.

  • Arte do texto 089/365
Original Instagram artwork — carousel posts show every slide.
Note from the Monologues series

Todos os dias terminados em 0 (ou algo assim) terão textos de cunho muito pessoal aqui na página. Não há necessariamente um objetivo firmado e concreto nos textos desses dias. Como diria um amigo meu: “Conheça o autor e entenderá a sua obra”.

Conversando com outros criadores de conteúdo, ficou claro para mim uma armadilha que faz com que a sociedade no geral sofra. Fica até difícil de saber como estruturar este texto. Vou escrever como se fosse para um colega, e explicar a situação com exemplos. Vamos começar falando sobre a minha página no Instagram.

Como eu gosto muito de análise de dados (e vou receber meus dois diplomas da área de exatas no próximo mê e começar o trabalho como consultor de empresas em junho), estou sempre verificando as métricas daquilo que estou envolvido, inclusive das postagens com os meus textos. Esporadicamente, faço testes e vejo os resultados em relação ao contexto inserido e vou tirando conclusões acerca delas.

Ficou claro o seguinte: quando escrevo sobre assuntos um pouco mais polêmicos, a reação é “negativa” (o texto 44 sobre direito armamentista foi o primeiro que fez com que algumas pessoas deixassem de seguir a página, por exemplo). E isso não tem necessariamente correlação com a qualidade do texto ou argumentos apresentados. Simplesmente por expressar uma opinião diferente, algumas pessoas (neste mundo de conteúdo digital e “influencers”) vão virar as costas para você.

Os meus textos e as minhas postagens não influenciam em nada na minha vida além da “pseudo fama” nas redes sociais e na alimentação do ego sobre quantas pessoas “curtiram” o que eu fiz (visto que eu não estou vendendo nada, nem ganhando nada com isso, então realmente, pouco me importa). Sendo assim, eu não tenho nenhuma necessidade de agradar a um público específico, ter fãs ou algo do tipo. Mas e se isso fosse o meu trabalho, e afetasse diretamente quanto eu recebo? É aí que a situação muda.

Uma grande besteira que existe é a frase “Política, futebol e religião não se discutem”, mas ela é muito verdadeira para os criadores de conteúdo (que ironicamente também são grandes influenciadores de opinião), pois essa controvérsia machuca a imagem do autor em relação ao seu público pelos mesmos motivos descritos acima. O criador de conteúdo se torna refém de si mesmo, pois tem que pensar como a reação do público vai afetar as próprias métricas e ganhos.

Perceba que a maioria das pessoas famosas que expressam suas opiniões, geralmente são famosas justamente por expressarem opiniões. Ou são grandes defensores de uma causa ou fazem carreira vocalizando opiniões contrárias (em termos simples, aquele cara que é sempre “do contra”), e isso não é nada saudável para as pessoas que passam pela influência desse segundo grupo.

Como eu disse no texto 54, quem tem uma posição social mais elevada, se torna responsável pelo que vai passar para outras pessoas, ou seja, tem a responsabilidade de não se equivocar e falar besteiras, pois nos atos e palavras carregam também grandes influências. Contudo, isso não significa que a pessoa não possa ter ou expressar uma opinião que seja contrária à tendência atual e da maioria, muito menos por medo de perder seguidores ou da “cultura do cancelamento” por expor posições contrárias, o que acaba por fazer com que esses temas mais polêmicos não tenham a exposição necessária e que merecem.

Certos assuntos são sim mais complexos, como religião, política, vícios e algumas preferências, mas isso faz apenas com que eles devessem ser ainda mais discutidos de forma civilizada e inteligente.. Essas discussões quebram tabus e certos dogmas que não têm sentido algum, apenas existem para proteger certos interesses e nunca foram mudados.

Sempre tem um XXX (a redatora me aconselhou a tirar a palavra que estava aqui para eu não ser ofensivo e tomar um “sacode do Instagram”, olha a ironia) que se exalta e grita para impor a própria opinião, e isso se torna ainda mais perigoso quando certas pessoas fazem seu próprio nome e fama dessa maneira (será que além do cancelamento, dá processo se eu citar nomes para exemplificar?).

As pessoas conhecidas têm um alcance muito maior que uma pessoa “comum”, mas têm medo de perder essa fama ao serem mais transparentes. Isso abre margem para as pessoas “desconhecidas” se aproveitarem para forçarem a própria fama a partir de opiniões fortes sobre assuntos polêmicos, e “dominar a opinião” e levá-la à extremos (isso beneficia a elas próprias).

A consequência desse medo de perder o prestígio social por ser claro nas próprias opiniões é uma das maiores armadilhas que a sociedade pode ter. Isso faz com que a discussão de opiniões e preferências se tornem um tabu, seja pelo medo de ofender alguém ou de “ser cancelado”, ocasionando menos tempo para formar essas opiniões e para construir diferentes perspectivas em relação a assuntos mais complexos que compõem a vida.

Alisson David Frangullys 02/ABR/2022 · 15:04 (GMT-5) texto para o dia · 30/MAR/2022