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Divisão social
This text is in Portuguese, as written.
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Apesar de ter escrito o livro O príncipe, em 1532, Nicolau Maquiavel explicou algumas técnicas que ainda são muito relevantes 5 séculos depois. A que vamos focar aqui, é sobre a técnica de divisão social. Essa técnica não é apenas usada por governos, mas também pela indústria do marketing que tem grandes benefícios com os resultados que ela traz.
Para quem não conhece o livro, Maquiavel escreveu para o seu rei uma espécie de manual de como governar. Dando vários exemplos em contextos passados e da sua época, foi explicando o porquê algumas táticas de governo deram certa, enquanto outras deram errado. Este livro caiu nas graças do rei que teve um governo próspero, e muitas dessas técnicas foram implementadas anos depois pelos governos seguintes.
Quando você tem o povo pertencendo apenas a um único grupo, as satisfações e insatisfações serão generalizadas – o que significa que se você faz algo que seja ruim para este grupo, eles se voltarão contra você. Agora, quando o grupo está dividido, as mudanças que você promove fará com que os grupos briguem entre si, ao invés de irem brigar com a fonte causadora da mudança.
Certas coisas são fundamentais numa sociedade, e a sua melhoria é intrinsicamente benéfica. Ninguém diria que uma boa escola, um bom hospital, e uma boa qualidade de vida para as pessoas que vivem em algum lugar, são coisas ruins. Mudanças positivas nesses aspectos, vão trazer um levantamento da moral da população, enquanto as negativas, causarão revoltas.
Contudo, separe a população em dois grupos, vamos chamar aqui o primeiro grupo de esquerda, e o segundo grupo de direita. Cada grupo tendo a sua ideologia, lutará para que a sua opinião prevaleça – é da natureza humana a vontade de estar certo, e isso é ainda maior quando se está em um grupo de pessoas que pensam da mesma forma.
Agora, se o grupo que está no poder é um representante da esquerda ou direita, até mesmo mudanças ruins que sejam feitas, serão defendidas pelo seu grupo – causando ainda mais indignação e revolta no grupo oposto. Isso acontece, pois, o apego e devoção a grupos elimina a individualidade.
Não precisamos nem estar num âmbito político para isso. Vemos diariamente pessoas com marcas diferentes , como a de celulares, defendendo a própria marca e dizendo o quanto a outra é ruim e a sua é superior. Torcedores de times diferentes dizendo quanto o seu time é superior e o rival inferior. No final das contas só queremos melhores produtos, e melhor qualidade nas coisas que consumimos – mas somos sempre atraídos pela ideia de nos separar em grupos e defender nossas opiniões (as vezes além da lógica). E essa luta só é benéfica para as empresas e organizações.
Essencialmente, queremos as mesmas coisas intrinsicamente boas, apenas a visão de como isso pode ser implementado é diferente. Mas, a separação em grupos cria fidelidade a marcas, ideologias, e um sentimento de superioridade e desdém ao rival. Chegando a extremismos como um grupo de pessoas dizendo que a terra é plana e que a vacina causa autismo. Pois a sensação de pertencimento a este grupo é muito grande, e se torna uma guerra do “nós contra eles”.
Por isso, é extremamente perigoso se apegar a títulos e rótulos – como fazem os membros de grupos. Isso serve apenas para se limitar e criar barreiras que você não possa passar – algumas pessoais, como a escolha pela ignorância, e outras com efeitos externos, como a intolerância.
Ter personalidade significa estar ciente de quem você é, permanecer firme na sua moral (conjunto de coisas que você acredita e luta por) e rejeitar absurdos, mesmo que isso signifique ir contra as ideologias do grupo ao qual você pertence. E isso é mais importante do que dar ouvidos ao próprio ego e buscar a “sensação de estar certo” – isso não leva a nada, apenas a construção de uma arrogância sem precedência.
Alisson David Frangullys 14/FEV/2022 · 13:30 (GMT-5)


