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A caminhada pessoal

Saturday, January 29, 2022era one9 min readcarousel

This text is in Portuguese, as written.

A vida é como uma cidade com longas estradas. Nessa cidade, você tem várias ruas, e cada uma delas vai te levar a um lugar diferente. Cada caminho é uma escolha que você toma, como virar a esquerda, à direita ou continuar adiante. E é bom lembrar que a cada escolha que você toma, você deixa de lado outra possível escolha. Podemos ver essa caminhada como um conjunto de escolhas que temos, ou um conjunto de coisas que deixamos de lado para encontrar nosso caminho.

Durante essa caminhada, algumas ruas serão muito tranquilas e leves, como um passeio feliz num dia de sol. Outras serão tão complicadas como andar a noite num dia frio e chuvoso. Cada rua representando uma fase diferente da sua vida, e a forma como você lidou (ou lidará) com essa fase – as decisões que tomou, com o que aprendeu, e como saiu dessas situações e fases. Isso vai determinar qual será o próximo caminho que vai tomar.

Essa caminhada, contudo, é permitida apenas uma vez. O tempo é escasso, e temos que tomar várias decisões durante a jornada. Por isso, temos que nos atentar muito sobre onde realmente queremos chegar. Tudo começa com o autoconhecimento. A única maneira de você conseguir saber como chegar a algum lugar, é sabendo antes onde está atualmente – caso contrário, qual vai ser o seu ponto de partida como referência para onde quer chegar?

Geralmente, já quando somos crianças, temos uma boa ideia de onde queremos chegar e de que tipo de pessoas queremos ser. Infelizmente, enquanto estamos crescendo, escutamos muito sobre o quanto será imprático ou difícil, e começamos a limitar as nossas opções antes mesmo de começarmos a nossa caminhada. O que acaba frustrando as nossas versões mais adultas, com muitas dúvidas e cheio de medos de começar a jornada para buscar aquilo que realmente queremos para nós.

O destino final é você quem escolhe, e ele é relativo ao que você acredita, a quem você é, pelo que luta, e é um conjunto das suas crenças e da sua moral. É o que representa a sua pessoa. Afinal de contas, é o seu maior sonho e maior objetivo. É a sua essência.

Quando não sabemos aonde queremos chegar, vamos caminhando sem rumo e, qualquer caminho serve – sejam eles bons ou ruins. Quando não nos conhecemos, não sabemos quem somos e/ou onde estamos, então fica impossível termos direções para onde queremos chegar, portanto qualquer caminho que leve a uma situação que seja melhor que a atual, serve. Dessa forma, se chegar a algum lugar bom será pura sorte. E, depender da sorte para guiar sua vida, é um grande perigo.

A jornada nunca é fácil. A vida é um desafio, e temos exatamente o que colocamos nela – a vida é muito justa com nossas ações e esforços. Alguns caminhos estarão bloqueados, e teremos que fazer um longo caminho de volta para continuar. Haverão caminhos que parecem ser tranquilos e fáceis, mas na verdade deles virão grandes tormentas, alguns de forma mais leve, com pedras e buracos no caminho, e outros muito mais complicados, como caminhos extremamente perigosos que vão até mesmo colocar a sua vida em grande risco.

Outros caminhos serão mais fáceis – dependendo de onde você quer chegar. Por isso é importante estudar o terreno que você está entrando o melhor que puder. Estar preparado para o caminho que está trilhando permite que você saiba melhor qual caminho tomar. E entre nele muito mais prevenido, e que saia dele com menos danos, e consiga terminar o trajeto em melhores condições. Certos caminhos serão tão bons para você, que ficarão para sempre gravados na sua memória.

Apesar de ser uma cidade grande, nem todos os caminhos são conhecidos. Algumas dessas ruas ainda são grandes florestas e um grande matagal – poucos tem a coragem o suficiente para serem os pioneiros em desbravar esses caminhos, e apenas uma quantidade minúscula consegue achar um caminho totalmente inovador - e abre as portas para a grande maioria poder trilhar esses mesmos passos. Os que sucedem nesses caminhos serão chamados de gênios, e/ou de pessoas a frente do seu tempo. Aos vários que falham miseravelmente, de idiotas e fracassados, e logo caem no esquecimento.

Não tem apenas um caminho, e certamente não tem apenas um “caminho certo”. Para algumas pessoas, até os caminhos ditos “certos” serão errados. Pois cada vida representa uma experiência única e diferente de qualquer outra. Mesmo que alguém percorra as mesmas ruas e tome os mesmos caminhos que você, terá nuances e experiências diferentes. E isso influencia em todo o resto. É fácil de esquecer, mas a jornada é pessoal, ninguém vai andar os mesmos caminhos e ter as mesmas experiências que você teve – e esperar que as pessoas tenham a mesma visão que você é um erro!

As vezes nos perdemos pelo caminho, e isso é normal. Afinal de contas é uma jornada que não tem certeza nenhuma nem garantia de nada. E durante a caminhada temos várias inseguranças e medos. Mas, é importante logo tomarmos ciência disso, e retomarmos nosso rumo – esperançosamente com uma mente mais limpa e tranquila, e tomarmos decisões mais acertadas.

A vida é uma jornada maravilhosa, e a felicidade nunca pode vir da “chegada do destino final”, pois todo o caminho que você percorre é o que representa a sua vida, quem você é, no que você acredita, e o que quer. Todo o caminho significa uma vida toda de experiências – e qual valor tem em usar uma vida toda em dor e miséria, para finalmente chegar ao destino final para finalmente experenciar a felicidade por um curto período? Você pode muito bem escolher caminhos que possa ir se divertindo e aprendendo durante a caminhada.

A experiência toda é ação solitária (afinal de contas, você é o único a trilhar seus passos). E sim, a caminhada é totalmente pessoal. Mas, dependendo do caminho que você escolher, você terá companhia durante parte do seu trajeto. Algumas companhias serão extremamente curtas. Outras, podem durar praticamente uma vida toda. Isso acontece quando a sua companhia tem um destino final muito próximo ou semelhante ao seu. Então, andar as mesmas ruas é estar tomando as mesmas decisões e buscando as mesmas coisas que você – ou seja, sem conflitos de interesses.

Nem sempre é o caso, na realidade, essa é uma grande minoria. Muita gente vai passar pela sua vida, pois cada um está seguindo sua própria bússola, o que significa que dificilmente você estará sozinho ao decidir tomar um caminho ou outro, mas no final daquele caminho, cada um seguirá um rumo diferente, em busca do próprio destino. Isso, contudo, não quer dizer que a brevidade seja uma coisa ruim (ou boa), mas sim como algo natural que devemos aceitar e seguir adiante.

Alguns desses encontros que teremos com os outros durante a caminhada serão extremamente memoráveis, e outras serão irrelevantes. Essa conexão é independente de tempo, mas podem sim ser medidas pela sua intensidade. Há pessoas que entrarão e sairão da sua vida muito rápido, mas deixarão marcas e lembranças que você lembrará pelo resto da sua caminhada (tanto boas quanto ruins).

Algumas pessoas vão nos mostrar caminhos diferentes, outras vão andar conosco em lugares que nunca poderíamos ter acesso sozinhos. Algumas pessoas vão nos dar a mão em ruas escuras, e nos ajudar a levantar quando cairmos e ficarmos sem ânimo para seguir adiante. Por essas, seremos eternamente gratos, e sempre carregaremos uma parte delas conosco na nossa própria jornada. Mas não podemos nunca ser dependentes delas, ou ficar sempre em busca de gente assim (nos ajudando).

Outras pessoas, contudo, com o tempo se mostrarão inimigos. Ao invés de estarem andando junto conosco, estavam apenas minando o nosso caminho e nos atrasando. Certas pessoas vão nos segurar para que não saiamos do lugar – por não quererem elas saírem do lugar e não quererem perder nossa companhia, ou deliberadamente para nos prejudicar. Essas, também podem andar conosco por curtos ou longos períodos. E, da mesma forma, precisamos aprender a deixar essas irem embora.

Apesar de estarmos considerando apenas as outras pessoas que estão passando e fazendo parte das nossas vidas, também temos esse efeito na vida dos outros. As vezes de forma consciente, outras de forma totalmente natural, por simplesmente sermos quem somos. Pessoalmente, eu prefiro estar do lado bom e ajudar aos demais nas suas respectivas caminhadas, afinal de contas, quando nos unimos, sempre vamos mais longe do que iriamos sozinhos.

As boas amizades (e relacionamentos) que temos e que duram anos (mesmo que não mantenha um contato constante), significa que ambos manteram a própria essência, ou seja, estão ainda buscando chegar no mesmo destino que queriam quando se conheceram. Mesmo que cada um tenha percorrido caminhos diferentes. Ou seja, a essência pessoal não mudou, por isso (mesmo que o tempo tenha passado, e o contato tenha sido raso), o sentimento de amizade permanece, e parece que nada mudou nesse quesito. Afinal de contas, são as mesmas pessoas (mesma essência), apenas mais experientes. Por essas e outras que dizemos ser amizades verdadeiras, pois não dependem de interesses corriqueiros.

Por isso, é sempre bom aproveitar o “presente”, nunca sabemos quando será a última vez que vamos ver alguém na nossa vida. É, também, importante deixar as pessoas que são (ou foram) importantes para nós, saberem dessa importância. Nunca sabemos por qual rua as outras pessoas estão passando no momento e qual dificuldade estão enfrentando (a não ser que elas mesmas nos contem). E, com apenas algumas palavras, podemos animar e melhorar o dia de alguém.

Aos que nos fizeram mal durante a nossa caminhada, temos que aprender a perdoá-las para podermos seguir o nosso próprio caminho sem ter que carregá-las conosco. Pois isso é equivalente a continuar carregando a dor e a tristeza pelo que nos fizeram. É um fardo muito pesado durante a nossa caminhada, e serve apenas para nos cansar e atrapalhar a própria jornada. Perdoar, contudo, não significa esquecer e permitir que aconteça novamente, mas sim deixar de viver aquela dor, e seguir adiante.

Tudo isso é uma grande aventura. É também um grande mistério. Cada um tem seu próprio propósito e chamado, e cada um traça a própria história. Essa pode ser a melhor das experiências, ou a pior possível. Afinal de contas, a vida é o que você faz dela. E essa, é o resultado que vem das nossas escolhas e ações durante a nossa caminhada. A caminhada nunca é fácil, por isso é bom e importante termos boas companhias durante a jornada.

Alisson David Frangullys 29/JAN/2022 · 01:36 (GMT-3)