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Muletas emocionais
This text is in Portuguese, as written.
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A velha frase que diz que tudo que é demais, faz mal. Mas na verdade, é um pouco mais complicado do que isso. Afinal de contas, porque algo que fica feliz verdadeiramente ao fazer feliz, faria mal em grandes quantidades?
Vamos considerar tudo que não haja absurdos, como por exemplo ingerir 30kg de sal “porque sal é bom”. E considerar outros aspectos da vida, como estudo e trabalho, e fazer um paralelo sobre a intenção naquilo que você está fazendo – pois essa, vale mais do que qualquer outro aspecto que possamos considerar.
Não tem problema algum você assistir alguma coisa na sua televisão depois de chegar em casa da faculdade, ou ir ao bar beber com os seus amigos após um dia cansativo de trabalho. São bons momentos que temos para descomprimir do estresse do dia-dia.
O problema, é você ir ao bar por estar triste e não querer lidar com as suas emoções; é você comer desenfreadamente por estar ansioso, ou ficar assistindo ou jogando o dia todo para evitar as tarefas que sabe que tem que fazer. Pois, até mesmo atividades positivas, podem se tornar atividades negativas.
O verdadeiro problema das coisas não vem do seu excesso, por assim dizer, mas sim da intenção que se tem sobre ela. Estudar ou ir à igreja, por exemplo, é algo muito bom para quem está realizando essas atividades, mas pode ser tão problemático quanto passar um dia todo assistindo seriado na televisão enquanto se tem muitas coisas para fazer e problemas para lidar.
Tudo que você faz, mesmo que seja algo estritamente bom para você, mas que tenha o intuito de acobertar um vazio ou alguma outra coisa, vai acabar se tornando algo ruim, e por muitas vezes um hábito ou vício. Essas atividades então vão ser as chamadas muletas – pois elas vão te ajudar a evitar momentos ruins do seu dia, como uma muleta que te ajuda a andar, mas com um preço elevado.
Ninguém quer ter que lidar com os sentimentos ruins que está tendo, ou resolver problemas que estão aparecendo, é completamente normal querer evitar esse tipo de situação e qualquer conflito num geral. Mas, não resolver esses problemas, cria uma situação ainda pior, e haverá um acúmulo de tarefas com um bônus de ansiedade para ter que lidar mais tarde.
O uso de muletas emocionais é, na verdade, uma maneira de postergar a dor; é enganar a si mesmo para fazer um “empréstimo de tempo” a juros altíssimos. É muitas vezes o motivo de ir para cama se sentindo um fracasso e improdutivo, e diminuir a própria autoestima. E, infelizmente, não tem uma fórmula mágica ou uma maneira fácil de resolver isso além de enfrentando os próprios problemas e lidando com as consequências deles.
Por isso, é importante avaliar as atividades que tomamos rotineiramente, e ver se não estamos fazendo elas para não ter que lidar com a dor de um relacionamento ou perda, ou como uma forma de aliviar nosso estresse – ao invés de agirmos diretamente na raiz do que nos estressa. Cuidado com as suas muletas, até as coisas boas que você gosta de fazer podem se tornar prejudiciais.
As muletas que temos não são nossas amigas, são apenas armadilhas que nós mesmos montamos para ficarmos em segurança dos nossos medos e dores. E, acaba por ter um custo de tempo gigantesco. É como um doente que prolonga indefinidamente a própria doença, mas continua consumindo seus analgésicos e fica medicado durante este tempo.
Evite isso para ter mais paz, se reconhecer uma muleta, comece a agir na raiz do seu problema imediatamente, e evite ao máximo de realizar as atividades que está realizando para medicar a própria dor.
Alisson David Frangullys 27/JAN/2022 · 17:24 (GMT-3)

