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363/365

a historia da pagina

Thursday, December 29, 2022era two13 min read

This text is in Portuguese, as written.

  • Arte do texto 363/365
Original Instagram artwork — carousel posts show every slide.

Numero 36X

História da página

Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.

No final de dezembro de 2021, eu estava conversando com o Anghelo, administrador da página @MemesDraw, sobre um objetivo que eu impus a mim mesmo de escrever 365 textos no ano, e como uma forma de “oficializar” isso, eu iria fazer uma página no Instagram e contratar alguém para fazer as artes dos textos. Surpreendentemente, ele me apoiou e motivou para criar a página, e sugeriu que o nome da página fosse textosdi_versos. Me deu umas dicas sobre como “começar” nesse mundo de postar no Instagram, e foi basicamente me dizendo para ser consistente e estudar a plataforma, e assim surgiu o nome da página.

Então, conversei com uma amiga de longa data, Lanna Rodrigues, que trabalhava com design e tinha experiência com mídias sociais, e assim formamos o contrato de que ela iria fazer uma arte por dia. Bolamos um sistema, e ela sugeriu que o nome da página fosse textosdi.versos, pois seria melhor como formação de marca e faria mais sentido. Ela usou uma logo que eu tinha pedido para uma outra amiga da época, Édilyn, fazer em 2014, e reaproveitou o desenho para fazer a logo.

Lanna estava gerenciando a página com as postagens e fazendo as artes, e assim seguimos por cerca de 2 meses. Ela me ajudou muito com o processo de entender sobre as redes sociais e formação de uma marca, além de criar artes excelentes. Depois de alguns problemas com horários e logísticas, conseguimos fazer um sistema com um horário de que eu deveria mandar os textos para ela para que fosse feita a arte e a postagem. Infelizmente, ela ficou muito doente e passou por alguns problemas pessoais, e por ter ficado internada no hospital, a página sofreu um atraso nas postagens que perdurou 10 meses. Mas ela se recuperou e logo voltou à rotina.

Percebi que, apesar de escrever todo dia me ajudar a melhorar a escrita, esse processo poderia ser muito mais rápido e eficiente se tivesse alguém para revisar os meus textos antes de serem postados. Então, procurei meus antigos professores para ver se eles teriam interesse em trabalhar comigo, e fui ignorado por todos eles, exceto um, que disse que não teria tempo, pois estava dando muitas aulas.

Mais uma vez, fui conversar com o Anghelo, e ele me indicou a Indara, que trabalhava com ele na página para garantir que nenhuma postagem tivesse erros de ortografia, e pouco tempo depois, ela se juntou ao time. O começo foi muito difícil, não tínhamos um sistema em prática, e várias correções que ela fazia no texto alteravam o sentido das frases e, consequentemente, do texto em si. Na primeira semana, eu estava certo de que isso não iria funcionar, mas com o passar do tempo, fomos entendendo melhor um ao outro, criamos um sistema funcional e fomos refinando-o com o tempo.

E assim foi, eu escrevendo os textos, a Indara revisando, e a Lanna gerenciando a página e criando as artes. Houve alguns momentos interessantes, como a sugestão de criar uma caneca com a logo da página e a realização de um sorteio. Foi o maior desastre de todos. Eu queria fazer um evento por mês, mas percebi rapidamente que não era algo viável. Escrevi um texto contando a aventura que foi o evento da caneca, se quiser saber mais leia o texto 110.

Isso durou, aproximadamente, até a metade do ano, quando eu finalmente me formei e fui fazer uma viagem pelo país todo, como tinha planejado há anos. Eu pedi para a Indara ter mais autonomia na correção dos textos, e para a Lanna fazer o mesmo na criação das artes e gerenciamento da página, mas a comunicação foi muito ruim, e nisso teve brigas e discussões.

No meio da minha viagem, enquanto eu estava no cinema, a Lanna me mandou uma mensagem dizendo que estava me enviando um PDF com os novos valores dela. Como eu sempre fazia o pagamento do que foi combinado todo dia primeiro, antes mesmo de receber o trabalho, aquilo me pegou totalmente desprevenido. Em três dias chegaria o fim do mês, e ela demandou um aumento que resultaria em mais de 50% do que eu estava pagando, enquanto eu estava viajando e querendo evitar qualquer dor de cabeça.

Foi nesse momento que uma amizade de 5 anos quebrou. A forma como ela, simplesmente da noite pro dia, aumentou o valor combinado e quebrou o contrato que ela mesmo criou, não caiu bem para mim. Quando eu respondi, dizendo que fui pego de surpresa e disse que ela estava quebrando o contrato, ela tomou uma posição muito agressiva, e disse que estava fazendo mais do que deveria com os carrosséis feitos nos primeiros dois meses da página, e que se ela fosse continuar seguindo o contrato, não teria mais maleabilidade alguma e que faria o mínimo esforço possível com o trabalho dela.

Confesso que fui direto em falar que isso tinha machucado bastante a nossa amizade, disse que pagaria o valor que ela tinha pedido, mas que achei a atitude extremamente ridícula, além de nada profissional. Eu sempre dei total liberdade para ela fazer o trabalho dela como achasse melhor, e tínhamos uma amizade muito aberta. Ela, obviamente, se arrependeu de ter feito o contrato de um ano, pois viu que estava dando mais trabalho do que imaginava e, quando conseguiu outra ocupação, decidiu aumentar consideravelmente os valores para fazer as artes da página. Se ela tivesse conversado comigo sobre isso, tudo teria ficado bem e resolveríamos numa boa, mas a forma grosseira como demandou um novo contrato fez com que a nossa amizade nunca mais fosse a mesma.

Também incluído neste novo contrato, havia a opção - algo que eu já tinha conversado com ela - sobre a logo da página. Pedi para que ela fizesse a logo e a identidade, e paguei tudo que ela pediu. Durante o mês todo, não conversamos mais além de uma palavra ou outra totalmente relacionada às artes ou à página, e numa das postagens ocorreu um grande conflito. Foi o texto mais longo que eu já escrevi na vida, e deu um trabalhão para ela dividir em comentários para fazer a postagem. Quando ela postou, os comentários ficaram fora de ordem, e falei para ela refazer, deixando na ordem correta. Quando ela começou a me culpar, dizendo que iria se atrasar para o compromisso dela do Dia dos Namorados, eu disse a mesma frase que ela tinha me falado ao mudar o contrato: “Esse é o seu trabalho, o texto foi mandado no tempo que você pediu, se você se atrasou para dar atenção para ele é culpa sua, não minha”.

Depois que falei isso, ela começou a tentar me prejudicar, começando por fazer a postagem desse texto de uma forma nada prática para ler, e criando os stories de uma maneira bem desagradável e porca, com o intuito de machucar a página. Nesse momento, comecei a procurar por outra designer, pois assim que acabasse o mês, eu não iria mais trabalhar com quem atentava algum tipo de mal contra mim.

Foi nisso que conversei com uma outra amiga que trabalha na área. Ela me indicou a Franciele e um outro cara. Conversei com os dois, e a Franciele aceitou tomar a continuação da criação das artes. Escrevi alguns textos adiantados e pedi para que ela fosse adiantando alguns trabalhos para que, quando a Lanna já não estivesse mais fazendo as artes, tivéssemos algo para postar com a nova logo e “estrutura” da página que a Lanna tinha criado.

O meu relacionamento pessoal com a Indara também não estava indo bem. Desde que tivemos nosso mal entendido com o pedido de aumento de autonomia, não estávamos nos dando muito bem. Com a mudança da arte da página e da designer, decidi que também era hora de procurar outra pessoa para fazer as correções do texto, uma forma de recomeçar. Como a parte do gerenciamento da página não estava mais nas mãos da Lanna, conversei com um amigo meu, e ele ficou incumbido de fazer as postagens na página do Facebook e do Instagram.

Por sorte, uma garota chamada Julia Putini comentou a mesma postagem que fez com que houvesse o conflito com a Lanna, e começamos a conversar. Ela é jornalista e redatora, e disse que faria as correções dos textos para mim sem cobrar nada. Foi como um anjo que caiu do céu. E assim começou uma nova fase da página na metade do ano.

Quando dei a notícia para a Lanna, de que não iríamos mais trabalhar juntos, ela prontamente deletou todas as artes que tinha feito e postado no Trello, e removeu todos os meus acessos, numa última tentativa de me prejudicar, e deixado de me seguir e excluído meus contatos. Isso para mim foi a gota d'água e, depois de ter mandado uma longa mensagem para ela, dizendo o quanto aquilo tinha me decepcionado, bloqueei ela de todos os lugares.

Essa nova fase, contudo, foi um período de readaptação. O começo foi difícil, como era de se esperar, principalmente na criação das artes e passar o objetivo que eu tinha para a Franciele. Mas logo depois nos acertamos, e fizemos um contrato mensal que perdurou até o final do ano. A Júlia, por outro lado, não precisou de período de adaptação algum. Ela era extremamente boa e rápida com as correções que fazia, e me ajudou por cerca de 2 meses, quando brigamos e paramos de conversar.

Confesso que 2022 foi o melhor e o pior ano da minha vida. Muitas coisas aconteceram, e durante vários altos e baixos, fiquei com 22 textos atrasados, e parecia que nada mais estava dando certo no final de Agosto. A Franciele finalmente tinha feito todas as artes dos textos encaminhados para ela usar como base, e ficou cerca de uma semana sem texto algum para poder trabalhar, enquanto eu acumulei os ditos 22 textos.

Como forma de me motivar, depois de ter falado para a Julia que eu ia me esforçar para criar todos os textos o mais rápido que pudesse, decidi mandar para ela uma contagem de quantos textos eu tinha feito, puramente para me motivar a continuar escrevendo mais. Depois de mandar cerca de 6 mensagens num dia, que continha “-22,-21,-20,-19,-18,-17,-16”, ela surtou, me ofendeu, e cobrou de mim o favor que estava fazendo.

Acredito que ela tenha pensado que eu estivesse apressando ela para fazer as correções ou algo do tipo, e ela obviamente não estava no estado normal dela. Contudo, isso não dá o direito a ninguém de ofender e ser extremamente grosseiro, ou até mesmo cobrar “favores e agradecimentos” que foram feitos de pura boa vontade. Chega uma idade em que você olha para algumas situações e pensa “isso não vale o meu estresse”, mesmo que você já esteja estressado. Esse foi um desses casos, e simplesmente concordei com tudo que ela estava dizendo. E ela continuou me ofendendo gratuitamente, até que eu finalmente peguei o número dela e usei para ver se era o mesmo que o PIX dela, e era. Mandei o meu limite máximo permitido no final de semana, e deletei a pasta no Drive que tinha 2 textos para serem corrigidos por ela. Quando ela viu o PIX, me ofendeu mais um pouco, e eu excluí o número dela, e assim encerrou nosso contato.

Não sei o que fez ela pensar para achar que tinha o direito de me ofender, mas seja lá o que tenha imaginado, ela pensou errado. Ela devolveu o PIX na mesma noite enquanto estava sendo grossa. Meses depois, eu fui mandar outro com 3x o valor de antes, mas ela havia deletado o pix. Mandei uma mensagem para ela dizendo que, se ela quisesse o dinheiro, eu mandaria, precisava apenas do novo pix, mas ela nunca respondeu. E assim, fui atrás da Indara mais uma vez, pois tinha muitos textos para corrigir e estava tudo muito atrasado.

Depois de trabalhar tanto tempo com a Indara, a gente se entendia bem. Terminamos o nosso contrato de uma forma bem pacífica e em bons termos. Ela até me pediu um feedback de como foi trabalhar com ela, e enviei praticamente um relatório. A mágoa e o ressentimento que fazia morada meses atrás tinha passado, e agora, ela estaria voltando para fazer as correções dos 22 textos que eu tinha feito em tão pouco tempo, e que precisavam urgente de correção.

A Júlia e a Indara fazem correções muito diferentes. As duas são extremamente boas e competentes no trabalho que empregam, mas enquanto a Júlia é mais focada na construção de parágrafos e estrutura, a Indara é mais voltada para o texto de uma forma holística e na mensagem que eu quero passar. Foi bom ter perspectivas diferentes, e eu certamente aprendi muito com as duas.

Nesse meio tempo, eu fiz algumas tentativas na página. O meu irmão pediu a minha conta para fazer uma autopromoção da página dele, e até criou um destaque chamado “Parceiros”. Eu tive a ideia de fazer um vídeo mostrando um pouco sobre as publicidades pagas do Instagram, e joguei uma quantidade insana de dinheiro em propaganda. Apesar de ter sido um fracasso muito caro, gerou um tráfego interessante na página e aumentou a quantidade de seguidores de forma considerável.

Mas retornando à realidade, a Franciele estava atolada de trabalho, tentou dar conta de tudo, mas não conseguiu. No final, tive que contratar outras duas pessoas para deixar as imagens em dia, o Igor, que era indicação da Franciele, e o Marcelo, que tinha trabalhado comigo em outros projetos e aceitou se aventurar na criação das postagens. A minha amiga Bruna Cunha, que tinha indicado a Franciele, entrou para o time para fazer umas correções e adiantar os textos para a Indara. Ou seja, tinham 7 pessoas (comigo incluso) trabalhando na página. Tentei orquestrar tudo para dar conta e ficarmos em dia com as postagens, e poder terminar o ano com as 365 imagens e textos prontos. Depois de um tempo de adaptação, conseguimos ficar com tudo em dia, com mais de uma postagem por dia.

Depois disso, o Marcelo continuou com a gente para fazer as últimas artes junto com a Franciele, e a Indara continuou com as correções até o final. Apesar do ano ainda não ter acabado, não espero que haja mudança alguma nesse time ou nos acontecimentos. Certamente foi uma aventura, e muito diferente do que eu tinha imaginado um ano atrás quando estava planejando como as coisas seriam para a página. Mas no final de tudo, deu certo.

É interessante que, muita gente que lê o que eu escrevo, não comenta nem dá like, mas fielmente lê as postagens. É o que eu chamo de seguidor invisível. Se você leu esse texto ou gostou da arte, ou algum outro da página que tenha sido de certa forma memorável para você, por favor, me conte. Não tem como eu saber de outra forma. Deixe eu conhecer você também!

Eu não sei como foi a experiência das outras pessoas, tudo que eu posso fazer é especular, mas acredito que, no geral, tenha sido positiva. Algumas postagens fizeram com que pessoas comentassem coisas bem pessoais, dizendo o quanto um texto ou outro tinham afetado elas, e o quão bom foi ler o que eu escrevi em um momento tão difícil no qual estavam passando. Em outras vezes, eu podia responder e tentar ajudar, já em outras, eu simplesmente não tinha palavras para uma resposta adequada. Mas só em saber que talvez algo que eu tenha escrito, ou uma arte que foi postada aqui que eu tenha orquestrado, tenha mudado o dia de alguém para melhor, ou dado alguma perspectiva que tenha modificado o rumo de uma vida para uma situação positiva, faz eu acreditar que o meu trabalho aqui, apesar de todos os acontecimentos, tenha valido a pena.

Dia 14 de novembro, 1 15 am