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Uma tarde no café

Wednesday, December 21, 2022era two4 min read

This text is in Portuguese, as written.

  • Arte do texto 355/365
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- Então você quer que eu explique o que está acontecendo? Essa é a primeira vez que você me pergunta isso... Mesmo que não adiante nada, vou te contar o que tá rolando.

- Estou toda ouvidos, me conte o que tem se passado pra você estar desse jeito.

- Bom, acho que vou começar pelo lado positivo. Eu tenho praticamente um superpoder. Consigo ver o tempo ficando em câmera lenta e consigo me mexer praticamente o dobro da velocidade enquanto está tudo parando. Mas isso só acontece quando a minha vida está em perigo, por exemplo, quando o assaltante entrar armado aqui no café daqui a alguns minutos e eu tentar impedir o assalto e ele atirar em mim.

Visivelmente confusa e com um sorriso incrédulo no rosto, ela diz, depois de ouvir atentamente o que ele disse:

- Oi? O que você “supostamente conseguir ver tudo em câmera lenta” tem a ver com alguém entrar aqui no café daqui a pouco? Você consegue ver o futuro também?

- Essa é mais uma das partes negativas. Hoje é dia 24 de Dezembro e estou preso nesse dia, se é que isso faz algum sentido pra você. Toda vez que eu acordo é dia 24. Eu acordo no mesmo lugar, do mesmo jeito, no mesmo horário. O dia se repete, como se fosse num filme. Todo dia é o mesmo maldito dia, e as mesmas coisas acontecem! Eu já vi o que acontece aqui várias e várias vezes, esse é o meu dia de número... 42!

- Não sei se você está querendo ser engraçado ou se ficou louco de vez.

- É, é, eu também pensaria a mesma coisa que você se ouvisse isso de alguém, mas não tem graça nenhuma em ficar revivendo o mesmo dia várias vezes, e eu provavelmente seria mais feliz se estivesse ficando louco. Eu já morri algumas vezes também, mas toda vez que eu morro, acordo mais uma vez nesse dia... Eu sinceramente não sei mais o que fazer. Eu sinto que já tentei de tudo, mas nada muda o resultado.

Com um olhar desconfiado, ela lentamente começa a puxar a própria bolsa para ir embora, e olha para a porta para confirmar que a saída está com fácil acesso, mas quando ela finalmente ia tirar a bolsa da mesa para fazer a saída, ele segura a bolsa e diz.

- O assaltante está vindo, quando ele tropeçar na segunda mesa indo até o caixa, eu vou usar a sua bolsa para fazer ele cair e pegar a arma que ele está segurando, esse é o jeito mais rápido e sem atrair muita atenção que tem de evitar esse assalto.

- Você larga a minha bolsa, pois eu estou indo embo…

Antes dela poder terminar a frase, um homem encoberto por roupas pretas e que vinha em alta velocidade, tropeça nos próprios cadarços e começa a cambalear por cerca de um metro, mas antes de poder recuperar o próprio equilíbrio, a sua bolsa, que estava na mesa, é colocada entre as duas pernas desse homem e faz com que ele caia e derrube uma arma ao lado do próprio corpo.

Antes que ela pudesse entender direito o que estava acontecendo, ele tira a arma do chão e coloca dentro da bolsa dela enquanto ergue o homem dizendo “Opa, tudo bem amigo? Vou te ajudar a levantar”, fazendo com que as outras pessoas do café olhassem apenas para o momento em que ele tinha caído e, logo ao ouvirem o que foi dito, parassem de prestar muita atenção.

Mas o homem começou a olhar assustado para o chão, parecendo extremamente confuso e procurando por alguma coisa pelo piso, sem ter sucesso algum. Momentos após a sua procura pelo objeto perdido, ele sai correndo assustado em direção à saída, ao som da voz que tinha lhe oferecido ajuda, dizendo “Não precisa ficar com vergonha por ter caído, acontece com todos…”.

Os olhos do café, que observavam com pouco interesse, ao ouvirem o que o homem tinha dito, compraram essa história dos acontecimentos e deram pouca importância para o evento, continuaram suas respectivas conversas nas suas mesas sem ligarem muito para o que tinha acabado de acontecer.

- A arma dele está dentro da sua bolsa, é uma taurus velha com 5 balas no pente e uma carregada na agulha. Não tive tempo de descarregar ela antes de colocar na bolsa, por isso eu não recomendo que você balance muito essa coisa aí. Vamos evitar que algo aconteça, não que vá fazer muita diferença para mim, mas... Venha, vamos sair daqui.