WallDecemberencerramento e legado
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Primeiro de Dezembro
This text is in Portuguese, as written.
No passado, deixamos algumas coisas por fazer, mas que continuam nos corroendo por dentro no presente. Algumas vezes, sem nem ao menos perceber, fazemos isso compulsivamente. Todas as ações que realizamos ou até mesmo conversas que temos são afetadas por essas atividades e, consequentemente, acabamos por viver uma vida de menor qualidade.
Quando ainda não fizemos algo que sabemos que deveríamos ter feito e seguimos todos os dias com a tendência natural de deixar para fazer depois, acabamos por mudar o nosso comportamento por conta dessa procrastinação. Isso acontece seja pela ansiedade ou pela própria perspectiva de como nos vemos através das nossas ações, pois independente do que estejamos fazendo ou com quem estejamos conversando, temos um lembrete nos incomodando a todo momento de que não somos a pessoa que deveríamos ser e que não fizemos o que deveríamos ter feito.
O que significa que todas aquelas ações de estar presente e viver o momento, estar em paz consigo mesmo e gostar de viver a própria vida se tornam impossíveis de serem realizadas. Tudo parece que está atrasado e não é bom o suficiente, e o único lembrete que se tem é que, naquele momento, você deveria estar fazendo aquela outra coisa que tem procrastinado por tanto tempo.
Mas chega um momento que tomar aquela ação se torna inevitável, seja pela data final estar chegando perto ou pelas repercussões de ter procrastinado por tanto tempo estarem crescendo muito. Você finalmente precisa fazer o que tem que ser feito para então repetir esse ciclo negativo mais uma vez na próxima atividade.
Existe uma opção melhor, contudo, ao invés de se tornar vítima das próprias atitudes desse ciclo de procrastinação e culpa, você pode inverter a ordem de uma forma positiva, mudando essa narrativa a seu favor e, consequentemente, a forma como você enxerga a si mesmo e às próprias capacidades, a forma como se sente e a forma como você vive. Simplesmente por não ter a agonia da culpa e ansiedade latente te dizendo que você não deveria estar aproveitando a sua vida vendo aquele filme, saindo com os seus amigos ou jogando algum jogo, tudo se torna mais leve.
Mesmo que se saiba de forma racional o que tem que ser feito, as suas emoções vão falar mais alto, encontrar uma desculpa ou uma maneira de evitar o processo de colocar ações em prática para poder empurrar mais uma vez com a barriga e concluir o ciclo negativo que acabamos de falar sobre. Por isso, a forma de você atacar esse problema não pode ser racional, mas também emotiva.
E por incrível que pareça, a melhor solução é simplesmente aceitar. Não vai ser prazeroso, vai demorar mais tempo do que você gostaria e tem no mínimo uma dezena de coisas que você poderia estar fazendo que seriam mais divertidas, mas apenas aceite o seu destino e faça o que tem que ser feito; não procure uma desculpa, um motivo para não fazer ou uma maneira para resistir, apenas faça.
Eu sei que esse conselho parece meio tosco e nada útil, mas eu percebi o quão isso é efetivo quando estava me debatendo para ir treinar e não queria de jeito nenhum. Pensei o quão chato seriam as próximas duas horas e encontrei várias desculpas para não querer ir, até que parei de ficar pensando e encontrado pretextos, e simplesmente aceitei o meu destino, “é, vai ser um saco fazer isso mesmo, hora de ir”. Enquanto estava treinando e me vinham pensamentos para resistir a fazer o que eu estava fazendo, apenas aceitei sem tentar lutar contra eles, e fiz o que eu deveria fazer.
É até engraçado quando você para de resistir e apenas aceita o seu destino, até a dificuldade do que você está fazendo diminui e não parece ser assim tão difícil, pois você se permite relaxar nesse desconforto. Depois que você terminar o que tem que fazer, você pode encontrar todas as desculpas possíveis, pois já vai ter feito o que deveria ter feito de qualquer forma, não importa mais. No final, é mais uma questão emocional do que racional. A falta de vontade de fazer alguma coisa pode ser vencida por simplesmente aceitar que você não tem outra opção e que sim, vai ser chato, mas não querer resistir.
Toda a parte racional você já conhece. Já sabe o porquê tem que priorizar o que é importante para ter uma vida melhor e todo o resto dessa história, mas quando chega o momento de pôr em prática é aquela dificuldade latente que leva para um ciclo negativo. Mas é nesse momento que você tem que de certa forma desligar o cérebro, e simplesmente se submeter ao que você tem que fazer.
Na realidade, você está sendo submisso à melhor versão de si mesmo, e assim, você desenvolve a confiança de que essa sua versão esteja buscando pôr em prática os seus melhores interesses e dessa forma, finalmente fazer o que tem que ser feito para ter a vida que você quer.
Alisson David Frangullys 06/DEZ/2022 · 23:16 (GMT-5) texto para o dia · 01/DEZ/2022
