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Viagem de ônibus

Tuesday, November 1, 2022era two3 min read

This text is in Portuguese, as written.

  • Arte do texto 305/365
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“Eu não virei as costas nem te abandonei. Você que se vire para fazer os seus corres e os seus rolê, eu já não tenho nada a ver com você”, foi a última coisa que ele conseguiu ouvir antes de tirar o fone de ouvido. Já não sabia mais quantas vezes tinha escutado esse rap em tantas outras viagens no ônibus como essa, mas não importava, essa música trazia um certo conforto indescritível.

Olhando pela janela e vendo a mesma cidade de sempre, ele pensou o quão interessante era a vida duma forma geral. Apesar de sempre ser a mesma cidade, ela estava sempre diferente seja por causa da mudança do clima, da estação, do horário, das pessoas que compõem a vista nos seus afazeres diários, sempre mutáveis, assim como é a natureza.

Por ter tirado o fone, agora ele escutava vários outros sons que antes eram impossíveis devido ao alto volume da música. O tilintar do metal do ônibus, dos veículos passando ao seu lado e fazendo o tão conhecido barulho do motor, ou de alguma música que estava tão alta que era possível se ouvir com clareza por um breve momento, e até mesmo ouviu um sujeito ao seu lado, que parecia estar na casa dos 40 anos, conversando ao telefone usando os próprios fones de ouvido.

- Uma das coisas mais difíceis de se ouvir costumam ser as mais importantes que você vai ouvir na vida. Disse o sujeito ao seu lado enquanto encarava o teto do ônibus. Bom, ao menos ele assumia que estava conversando com alguém pelo celular, a outra opção é que o sujeito ali estava maluco, mas de qualquer forma, aquela frase o pegou de surpresa.

Ele se lembrou de algumas duras verdades que escutou dos seus amigos, parentes, e até mesmo professores e artistas de televisão. Certas coisas que havia escutado na sua vida vindo de pessoas que ele considerava muito, doeram bastante, mas de alguma maneira elas foram muito importantes para ele pelo resto da vida.

Uma vez, em específico, ele tinha escutado do seu pai dizendo que o amava muito, mesmo raramente estando presente em algumas das suas apresentações na escola ou dias importantes, como seu aniversário, formaturas e afins. E que ele deveria estudar, pois assim poderia ter a oportunidade de ter uma vida melhor e não precisar trabalhar tantas horas para ajudar a própria família a ter mais conforto, um teto sobre a cabeça e um prato cheio.

Apesar de ser um conselho clássico – estude e tenha uma vida melhor -, daquela vez foi diferente, parece que mudou totalmente a sua forma de ver a vida, e houve uma troca de prioridades como nunca tinha acontecido antes. Apesar de não estar diretamente relacionado com que o estranho ao seu lado parecia falar ao telefone, foi o que ele relacionou naquele momento. Ele voltou a pôr o fone de ouvido, com a sua música repetindo mais uma vez, e foi refletindo até o seu destino final sobre todas as duras verdades que ouviu durante a vida que o transformaram profundamente.

Acho que esse texto ficou simples demais, mas dá pro gasto

Alisson David Frangullys 05/NOV/2022 · 13:44 (GMT-5)