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Memórias um tanto quanto sentimentais
This text is in Portuguese, as written.
Às vezes, me pego lembrando de como eram as coisas há algum tempo. Nem sempre, ou melhor, quase nunca é voluntário, acontece naturalmente. Por exemplo, vejo algo que eu tenho certeza de que você ia gostar, a primeira reação que tenho é de compartilhar contigo, mas aí lembro que não conversamos mais e certa tristeza bate. Fazer o quê, desde quando paramos de conversar eu sinto muito a sua falta.
Talvez seja uma traição da minha própria mente, trazendo memórias e lembranças que deveriam ter ficado escondidas, ou quem sabe seja um pedido das emoções para a razão fazer algo, mas o que pode ser feito? Algumas coisas são melhores quando ficam intocadas, mesmo com toda a curiosidade, saudade ou até mesmo vontade, mas tentar por isso na cabeça é infrutífero.
- O seu sorriso é tão bonito, você deveria mostrá-lo mais vezes - E como resposta, tive um riso tímido e uma mudança de assunto. Mas eu falei com sinceridade, o mundo precisava ver mais aquele sorriso aberto, olhar tranquilo e feição maravilhosa. O mesmo sorriso que fez eu cair de amores, e o mesmo riso que hoje atormenta a minha memória.
É incrível o que um coração apaixonado é capaz de fazer. Mesmo com a mente sendo consciente de toda a situação, é inevitável não balbuciar promessas de amor eterno em alguns momentos, como quando se está sentado naquele banco da praça olhando para as árvores, abraçado com a pessoa que domina seus pensamentos à noite. Você espera que seja eterno, que aquele momento nunca acabe, mas se acabar, que seja suplantado por outros ainda melhores. Quem sabe seja esse o motivo de tais promessas de amor, uma tentativa estúpida de mudar o próprio destino trágico.
No final de tudo, contamos com os bons momentos que podemos ter com aqueles que dominam nossa mente e coração. Contentamento, tranquilidade e diversão, o que mais poderia esperar de alguém? Reciprocidade, amor sincero e segurança? Talvez na psique, todas essas outras coisas sejam apenas secundárias, e o que queremos mesmo são as primeiras, preferencialmente as duas, sem dúvidas, mas essencialmente os bons momentos da primeira. O que a segunda traz é a segurança da repetição da primeira, e em certos casos, lá no fundo, é tudo o que queremos e precisamos.
Hoje, ela me faz falta. Mas num diálogo interno, minha própria mente me pergunta, “mas que falta que essa falta me faz?” e assim, o diálogo se segue infinitamente.
- Se não se lembra, vou te relembrar. Refrescar a sua memória, vou te ajudar.
- Me lembrar do que?
- Daquilo que ela fez pra você.
E as memórias voltam com ódio por terem sido perturbadas mais uma vez. Mas já é rotina, deveriam ter se acostumado com esse processo, contudo, se recusam a se acostumar, e sempre trazem uma enxurrada de emoções de todos os tipos. E mais uma vez, esse questionamento retorna, junto com todas essas memórias de um passado não tão distante, que parece ter sido vivido numa outra vida passada. Que falta é essa que ela me faz?
Alisson David Frangullys 16/OUT/2022 · 12:10 (GMT-5) texto para o dia · 05/OUT/2022
