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Memórias um tanto quanto sentimentais

Wednesday, October 5, 2022era two3 min read

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Às vezes, me pego lembrando de como eram as coisas há algum tempo. Nem sempre, ou melhor, quase nunca é voluntário, acontece naturalmente. Por exemplo, vejo algo que eu tenho certeza de que você ia gostar, a primeira reação que tenho é de compartilhar contigo, mas aí lembro que não conversamos mais e certa tristeza bate. Fazer o quê, desde quando paramos de conversar eu sinto muito a sua falta.

Talvez seja uma traição da minha própria mente, trazendo memórias e lembranças que deveriam ter ficado escondidas, ou quem sabe seja um pedido das emoções para a razão fazer algo, mas o que pode ser feito? Algumas coisas são melhores quando ficam intocadas, mesmo com toda a curiosidade, saudade ou até mesmo vontade, mas tentar por isso na cabeça é infrutífero.

- O seu sorriso é tão bonito, você deveria mostrá-lo mais vezes - E como resposta, tive um riso tímido e uma mudança de assunto. Mas eu falei com sinceridade, o mundo precisava ver mais aquele sorriso aberto, olhar tranquilo e feição maravilhosa. O mesmo sorriso que fez eu cair de amores, e o mesmo riso que hoje atormenta a minha memória.

É incrível o que um coração apaixonado é capaz de fazer. Mesmo com a mente sendo consciente de toda a situação, é inevitável não balbuciar promessas de amor eterno em alguns momentos, como quando se está sentado naquele banco da praça olhando para as árvores, abraçado com a pessoa que domina seus pensamentos à noite. Você espera que seja eterno, que aquele momento nunca acabe, mas se acabar, que seja suplantado por outros ainda melhores. Quem sabe seja esse o motivo de tais promessas de amor, uma tentativa estúpida de mudar o próprio destino trágico.

No final de tudo, contamos com os bons momentos que podemos ter com aqueles que dominam nossa mente e coração. Contentamento, tranquilidade e diversão, o que mais poderia esperar de alguém? Reciprocidade, amor sincero e segurança? Talvez na psique, todas essas outras coisas sejam apenas secundárias, e o que queremos mesmo são as primeiras, preferencialmente as duas, sem dúvidas, mas essencialmente os bons momentos da primeira. O que a segunda traz é a segurança da repetição da primeira, e em certos casos, lá no fundo, é tudo o que queremos e precisamos.

Hoje, ela me faz falta. Mas num diálogo interno, minha própria mente me pergunta, “mas que falta que essa falta me faz?” e assim, o diálogo se segue infinitamente.

- Se não se lembra, vou te relembrar. Refrescar a sua memória, vou te ajudar.

- Me lembrar do que?

- Daquilo que ela fez pra você.

E as memórias voltam com ódio por terem sido perturbadas mais uma vez. Mas já é rotina, deveriam ter se acostumado com esse processo, contudo, se recusam a se acostumar, e sempre trazem uma enxurrada de emoções de todos os tipos. E mais uma vez, esse questionamento retorna, junto com todas essas memórias de um passado não tão distante, que parece ter sido vivido numa outra vida passada. Que falta é essa que ela me faz?

Alisson David Frangullys 16/OUT/2022 · 12:10 (GMT-5) texto para o dia · 05/OUT/2022