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Complexo de vira-lata

Wednesday, July 27, 2022era two3 min readcarousel

This text is in Portuguese, as written.

Já se perguntou por que o brasileiro valoriza muito o que vem de fora e despreza o que é interno? Seja na área que for: musical, tecnológica, governamental, industrial ou a do entretenimento, parece que sempre existe uma preferência para aquilo que veio de fora, em detrimento daquilo que foi produzido dentro do país.

Ao falar sobre isso, a primeira coisa que me vem à cabeça é o ex vocalista do Angra, Edu Falaschi, dando uma entrevista sobre a quantidade de pessoas que foram ao show feito no Brasil, que era muito menor do que a banda estava acostumada na Ásia e Europa. Enquanto isso, bandas estrangeiras estavam lotando as bilheterias em São Paulo.

Isso talvez esteja realmente atrelado com o tal do “complexo de vira-lata”, que é não dar valor ao próprio povo e cultura, e achar que tudo que é feito nacionalmente não presta. É algo fácil de verificar em mercados onde produtos importados vendem mais do que os internos no mesmo segmento (no caso, os de beleza e alimentícios, que é onde pode haver uma comparação justa). Algumas vezes, produtos do exterior não são nem compatíveis com a realidade do brasileiro, como cosméticos que foram projetados para a pele asiática, por exemplo.

A falta de empresas nacionais fortes, contudo, é notável. Não existe uma marca notável de celular, de uma montadora de carros, ou fabricante de peças de computador. A economia do Brasil é dependente da exportação de grãos, carnes e minérios. Uma das poucas companhias bem sucedidas que envolvem tecnologia não é algo diretamente acessível ao público, que é o caso da Embraer (que fabrica aviões de todos os portes e propósitos).

Que o Brasil tem muitos problemas, não é novidade para ninguém. Com uma desigualdade social enorme, educação desfalcada e falta de investimento em tecnologia pelas empresas e até mesmo pelo próprio governo. No entanto, isso não quer dizer que tudo que é produzido aqui seja ruim. Existe até um estigma e medo de investir internamente pela grande dificuldade ao abrir uma empresa devido aos impostos altíssimos extorquidos pelo governo.

Mas faz bem ter em mente a noção que muito do que é fabricado dentro do país, é bem aceito e exportado. É o caso de vários cosméticos e dos aviões da Embraer. O problema mora na falta de diversidade de produtos para exportar, e não na sua qualidade. O nosso país tem grandes capacidades, mas elas são exploradas somente na mesma medida em que tornamos isso uma possibilidade.

Alisson David Frangullys 03/AGO/2022 · 15:31 (GMT-5) texto para o dia · 27/JUL/2022