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O romantismo não está morto

Wednesday, July 6, 2022era two5 min read

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O romantismo não está morto. Apesar de esquecermos da sua existência, podemos contar com as memórias da fase da pré-adolescência até o começo da vida adulta para relembrar esses momentos de amor mesclados com a inocência. Os sentimentos à flor da pele e uma vontade de demonstrar um amor tão grande que não cabe dentro de si. Pura entrega, compromisso e amor de verdade.

Começando pela troca de olhares e em busca de uma boa desculpa para se aproximar sem parecer esquisito. Levado pela insegurança em dizer as primeiras palavras tímidas de um oi desconcertado. – Só vai logo e se apresenta, diz pelo menos um oi! – é o que diria algum amigo seu que guarda as suas confidências, com esperança de que você vença sua timidez e dê o primeiro passo.

Sendo bem-sucedido, talvez depois de alguns (ou vários) fracassos, aquele "oi'' se torna mais rotineiro, até mesmo esperado como parte da rotina. Várias conversas depois, um conhece o outro melhor e vem um toque leve nas mãos, talvez sem querer durante uma caminhada lado a lado, talvez por ter parecido a coisa certa a ser feita no momento em que estavam juntos. O que evolui para um abraço de lado deixando o cheiro daquela pessoa na sua blusa, chegando ao derradeiro momento de um beijo no rosto na despedida, indo quase de encontro com a boca.

“Ops, foi sem querer, ou quase, mas porém depende, se você gostou foi por querer, se não, não”. São as palavras que você tenta balbuciar, sem sucesso,pois nem abre a boca, mas aquele olhar de relance mostra um sorriso envergonhado, que é recíproco. Sendo essa a única coisa que você pensa pelo resto do dia, consegue ainda sentir a maciez parcial do lábio que foi de encontro ao seu. Depois de semanas, que se tornaram meses, aquele “oi” chegou até aqui. Inacreditável.

Depois dessas ocorrências todas se conversa sobre aquela despedida e uma surpresa aparece. O sentimento de euforia latente penetrando o corpo e a mente ao saber que a pessoa que você gosta também gosta de você! Incrível, seu nível de felicidade nunca esteve tão elevado como neste dia. Então você aprende que ser feliz pode ser uma tarefa em dupla e, como uma droga, você fica viciado nesse sentimento. Tudo isso é finalmente selado com um beijo na boca, vencida a timidez que dominou os dois.

Tudo que se passou até aquele momento parece as cenas de uma novela ao se encaminhar ao clímax do beijo. Que mais uma vez, é o motivo de capturar os seus pensamentos pelo resto do dia e faz você pensar duas vezes antes de comer ou beber alguma coisa, pois você quer que aquela sensação permaneça e não seja modificada de forma alguma. Com o passar do tempo, o sentimento se desenvolve e cresce mais.

Juras de amor eterno e promessas feitas, levadas e lembradas pelo vento que passava naquele exato momento, mesmo que esquecidas. Diversas variações fazem parte desse momento, sejam cartinhas de amor, mensagens, presentes, lugares visitados juntos e eventos inesperados. Tudo para demonstrar e eternizar aquele zelo, o carinho e a genuína felicidade do reencontro. Em sequência vem a expressão da tristeza da despedida e o planejamento imediato do próximo dia juntos e a vontade de serem inseparáveis.

O romantismo é esse sentimento, essa vontade pura de amar e a sensação de ser amado de volta, a incerteza de não saber se disse a palavra perfeita no momento perfeito. É saber que o compartilhamento daquele momento foi perfeito e insubstituível para ambos, que do primeiro pensamento até a última despedida aconteceram em sincronia. Quase um treinamento cardíaco, de tanto que o coração foi vivendo novos altos e baixos.

Por muitas vezes esse grande amor termina em grande tristeza e é seguido por um longo período de um frio deprimente. Faz você desacreditar da veracidade de tudo que viveu, relacionando todo o carinho com uma grande mágoa. Assim um bloqueio é criado para evitar que toda a dor volte algum dia, e essa alta muralha que se ergue, acaba impedindo de viver todo o lado bom do romance mais uma vez.

Independente de como tenha acabado, toda a história foi real, dos sentimentos que floresceram dentro, assim como todos os momentos passados na companhia de quem um dia foi o seu grande amor. O romance foi divertido, emocionante e inspirador. Não pense que ele morreu, ou que ninguém mais mereça conhecer este seu lado, não, longe disso.

O romance vive dentro de cada um de nós, esperando ver a luz do dia mais uma vez, pronto para mostrar o lado mais inspirado e apaixonado de cada um de nós. Não é uma questão de outra pessoa se beneficiar em conhecer esse seu lado e “não dar valor e partir”, mas sim de você deixar esse lado livre para respirar e fazer você viver suas histórias com a intensidade que elas merecem. De viver uma vida cheia de cores e sabores, ao invés de se esconder na falsa segurança da muralha cinza e sem graça que você mesmo ergueu.

Situações ruins são inevitáveis, mas as boas infelizmente podem ser evitadas. E uma maneira de evita-las é deixando de amar, escolhendo matar o romance, e não vivendo experiências e criando boas histórias. Amar não é ser fraco, muito pelo contrário, é ser forte o suficiente para poder encarar o que vier pela frente de queixo erguido. Se agarrar a tudo de bom e enfrentar tudo de ruim, até o fim, seja qual for esse fim. Mas de toda forma, viver, sem medo de se expressar, nem de ser feliz.

Alisson David Frangullys 08/JUL/2022 · 17:37 (GMT-5) texto para o dia · 06/JUL/2022