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A obesidade é uma escolha(interrogação)
This text is in Portuguese, as written.
Recentemente, assisti a um vídeo do Jeff Nipard sobre o assunto e achei relevante discutir isso aqui. A pergunta “A obesidade é uma escolha?” é deixada de lado, enquanto julgamentos são prontamente feitos às pessoas obesas, que rapidamente são etiquetadas como “preguiçosas” e "desmotivadas", mas a verdade está além disso.
Ao perguntar aleatoriamente para as pessoas se elas gostariam de ser obesas, não é difícil de imaginar que a resposta da maioria seria um uníssono “não”, da mesma forma que as pessoas prefeririam ter uma conta bancária recheada de dinheiro ao invés de passarem dificuldades todos os meses. Ser obeso simplesmente não é algo desejado, e realmente não tem muitas vantagens em relação à sua contraparte devido aos riscos à saúde e aumentos de propensões à doenças e etc.
Contudo, a obesidade é uma realidade na vida de muitos, mesmo sendo contra a vontade dessas pessoas. É fácil de pensar que por simplesmente elas desejarem mudar e começarem a dizer “não” para alimentos calóricos e doces, o problema da obesidade estaria resolvido. É o equivalente a dizer para alguém “Não fique triste!”, e isso realmente ser útil: “Nossa, verdade, estou feliz agora, obrigado!”.
A obesidade é causada pela ingestão de uma quantidade de calorias além do necessário para a manutenção do peso corporal. A matemática é bem simples: cada pessoa tem uma quantidade certa de calorias para manter o próprio peso, baseado na altura e peso atuais. Se você ingerir mais calorias, você engorda, se ingerir menos, você emagrece.
O que é deixado de lado, contudo, é a grande variedade genética que existe em nossa população. Algumas pessoas literalmente sentem mais fome do que outras, e até mesmo perdem mais calorias sem fazer absolutamente nada quando comparadas às outras pessoas com uma genética diferente. Essa quantidade (de comida) não é irrelevante, é o equivalente a uma refeição completa a mais que pode ser feita por alguém que tem um déficit calórico superior.
Mesmo que uma pessoa seja relativamente magra e forte, e coma mal, a tendência é dizer o quão ela é esforçada e dedicada na sua dieta e treino, mesmo que coma muito mais fastfood e porcarias do que uma refeição substancialmente saudável. Da pessoa que é obesa, se fala mal, de como é preguiçosa e indisciplinada, mesmo que ela tenha tentado algumas dietas e falhado. Essa percepção ignora totalmente os fatores genéticos, e focam apenas no que os olhos enxergam e deduzem.
O efeito cumulativo de várias ações levam à obesidade, como a escolha de tomar refrigerante ao invés de água, assistir televisão e usar o computador ao invés de se exercitar, comer comidas industrializadas ao invés de comer “comidas de verdade”, e todos hábitos que fazem uma grande diferença com o passar do tempo.
Agora, é preciso considerar a situação holisticamente, como a medicação e a endocrinologia das pessoas envolvidas, se existem problemas físicos envolvidos, o estilo de vida, o sono, o meio (que envolve a cultura do próprio trabalho, e como as atividades e alimentação são feitas dentro de casa). Até mesmo a disponibilidade de comida, pois é uma série complexa de escolhas, nada simplista, como sim ou não.
Crianças e pré-adolescentes não escolhem o que vai ser colocado na mesa do almoço e do jantar. Muitas vezes, também não escolhem como vão gastar as horas do dia. Tudo depende da situação familiar em que se encontram, onde moram, como foram educados e etc. E no final das contas, essa é uma discussão bem semelhante com a de quem diz que “só é pobre quem quer”.
Aos que venceram a obesidade, merecem ainda mais nossos parabéns e admiração, e aos que estão nessa situação, nosso incentivo e conselhos quando solicitados. De toda forma, todos merecem nossa empatia e compreensão além daquilo que simplesmente julgamos e pensamos num primeiro momento, pois se realmente fosse tão fácil assim, não seria um problema.
Alisson David Frangullys 21/JUN/2022 · 18:14 (GMT-5) texto para o dia · 16/JUN/2022
