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Certo é sempre certo
This text is in Portuguese, as written.
Qual a real validade da frase “Faça o que eu digo, não faça o que eu faço”? Seria algo realmente válido ou uma grande hipocrisia? Talvez um pouco dos dois? E como saber a diferença?
Todo e qualquer conselho recebido deve ser analisado cautelosamente antes de ser aceito. Tudo mesmo, incluindo este texto e qualquer outro de opinião que passe por você. E mais importante do que apenas ouvir uma conclusão, é entender o processo e a linha de raciocínio que fez tal conselho existir.
Certas coisas são óbvias, pois podemos ver o efeito direto da causa -> consequência acontecendo na vida de alguém. Dizer que beber água e ter uma alimentação saudável é essencial para ter uma boa saúde, não é difícil de entender o porquê, pois os benefícios estão diretamente ligados ao estado físico e mental de alguém. Assim como não é difícil aceitar um conselho como “Não beba ácido!”, ou “Pare de comer os azulejos do banheiro, vai te fazer mal”, os malefícios também são bem claros.
Certas questões, contudo, são mais sutis e difíceis de aceitar. “Faça o bem, mesmo quando estiver magoado”, enquanto a pessoa que passa o conselho nunca faz o bem quando está magoado, ou “Quando sobrar um pouco, guarde dinheiro para uma emergência”, vindo de alguém que gasta tudo que tem. Se são conselhos que não são seguidos nem pela própria pessoa, como ela poderia saber o que seria melhor ou não para você?
É aqui que as coisas começam a ficar mais complexas, pois nossos olhos se voltam para a própria pessoa conselheira, e analisamos a sua situação. Se uma pessoa muito rica desse o conselho financeiro de guardar dinheiro, mesmo que ela não o fizesse, seria muito mais fácil de aceitar e fazer do que se ouvíssemos o mesmo conselho de alguém pobre que está passando por dificuldades.
– Ora, o que você sabe sobre finanças, se está sempre numa situação difícil?!
A realidade é que gostamos de julgar baseado naquilo que vemos – faz parte da nossa natureza de alguma forma -, e aceitamos todo tipo de conselho quando enxergamos os resultados, e rejeitamos quando acontece o contrário. Mas simplesmente perguntar um “por quê?”, pode ajudar a clarear o pensamento. Ao entender os motivos por trás dos conselhos, conseguimos avaliar melhor as possibilidades, independente de qual seja a atual situação de quem nos aconselhou.
De forma ainda mais radical, uma pessoa extremamente cruel pode fazer um discurso e aconselhar sobre fazer o bem e como ser generoso, falando apenas verdades. Estar do outro lado da moeda não significa que a pessoa não veja a situação num todo, ou que não tenha ciência e domínio do que está falando. Não importa quem você seja, uma verdade continua sempre sendo uma verdade.
Temos que aprender a analisar mais o conteúdo do que quem o está transmitindo. Não importa qual seja a classe, cor, gênero, raça ou qualquer distinção conhecida pela humanidade. O assunto em si, o conselho, a opinião, é o que vale, e o que merece a atenção.
Por isso, quando algum fumante disser que fumar faz mal e que você não deveria fazer isso, pergunte o porquê ele pensa isso e, depois da explicação, tire as suas próprias conclusões. Não é hipocrisia tentar evitar que alguém cometa os mesmos erros que você, ou tentar conduzir para que tenham os mesmos acertos.
Alisson David Frangullys 18/JUN/2022 · 20:05 (GMT-5) texto para o dia · 08/JUN/2022
