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Armas e a vida

Monday, June 6, 2022era one2 min read

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Seguro uma bala na mão, olho para sua pequenez, rodo, giro, observo de todos os ângulos possíveis, até que finalmente abro minha palma e observo de longe na minha mão. É essa coisinha pequena que tem o poder de tirar uma vida? E a que preço? R$1,00 pela bala.

Bom, a bala sozinha dificilmente tira alguma vida, apenas em casos bem raros de mau armazenamento onde há explosões e alguém sai com um ferimento mortal. É necessária uma arma para fazer o verdadeiro estrago. A arma, no caso, custa mais do que o R$1,00, ela começa na casa dos mil. Mas esse não chega a ser o verdadeiro custo, nem se equipara ao valor de uma vida.

Uma arma e uma bala sozinha não fazem nada, elas precisam realizarem seu ritual mortal, como uma dança, começando com o carregamento, o engatilhar, ficar na linha de fogo com a trava de segurança desativada, e o gatilho ser apertado para que haja a explosão e o tiro aconteça. O real valor disso tudo? Tudo.

Apesar da miniatura da bala ter um potencial destrutivo tão grande nas condições certas, é ela apenas um instrumento para auxiliar na balança da vida e da morte, nada mais do que isso. Ela não tem consciência – e por consequência, não tem valores ou moral -, nem vontade ou desejos, tudo depende de quem a usa.

As armas já estiveram em ambos os lados da moeda, do opressor e do oprimido. Já foram usadas para salvar vidas, como para tirar vidas. Já foram usadas para estabelecer o poder de um tirano, como para eliminar dito tirano. É uma ferramenta disponível para o corrupto e para o justo, e a forma que vai ser usada vai depender da intenção daquele que a manuseia.

Para tirar uma vida já foram usadas tantas coisas, dos primórdios utilizando pedras e gravetos, até as formas mais sofisticadas disponíveis de injeções letais e gases. No meio do caminho houveram as guilhotinas, espadas, lanças, bombas, e todo tipo de equipamento desenvolvido com o mesmo propósito, facilitar a transição da vida e da morte.

Contudo, ainda me surpreendo a segurar algo tão pequeno e tão barato, que pode causar tanto dano e tirar da existência a vida como conhecemos. Ao olhar e segurar para ela, é necessário ter o devido respeito e até certo temor. E apesar da dificuldade que existe em não culpa-la pelo dano causado, temos que lembrar que a ferramenta sozinha não faz nada, mas quem a usa, sim.

Alisson David Frangullys 15/JUN/2022 · 10:43 (GMT-8) texto para o dia · 06/JUN/2022