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Armas e a vida
This text is in Portuguese, as written.
Seguro uma bala na mão, olho para sua pequenez, rodo, giro, observo de todos os ângulos possíveis, até que finalmente abro minha palma e observo de longe na minha mão. É essa coisinha pequena que tem o poder de tirar uma vida? E a que preço? R$1,00 pela bala.
Bom, a bala sozinha dificilmente tira alguma vida, apenas em casos bem raros de mau armazenamento onde há explosões e alguém sai com um ferimento mortal. É necessária uma arma para fazer o verdadeiro estrago. A arma, no caso, custa mais do que o R$1,00, ela começa na casa dos mil. Mas esse não chega a ser o verdadeiro custo, nem se equipara ao valor de uma vida.
Uma arma e uma bala sozinha não fazem nada, elas precisam realizarem seu ritual mortal, como uma dança, começando com o carregamento, o engatilhar, ficar na linha de fogo com a trava de segurança desativada, e o gatilho ser apertado para que haja a explosão e o tiro aconteça. O real valor disso tudo? Tudo.
Apesar da miniatura da bala ter um potencial destrutivo tão grande nas condições certas, é ela apenas um instrumento para auxiliar na balança da vida e da morte, nada mais do que isso. Ela não tem consciência – e por consequência, não tem valores ou moral -, nem vontade ou desejos, tudo depende de quem a usa.
As armas já estiveram em ambos os lados da moeda, do opressor e do oprimido. Já foram usadas para salvar vidas, como para tirar vidas. Já foram usadas para estabelecer o poder de um tirano, como para eliminar dito tirano. É uma ferramenta disponível para o corrupto e para o justo, e a forma que vai ser usada vai depender da intenção daquele que a manuseia.
Para tirar uma vida já foram usadas tantas coisas, dos primórdios utilizando pedras e gravetos, até as formas mais sofisticadas disponíveis de injeções letais e gases. No meio do caminho houveram as guilhotinas, espadas, lanças, bombas, e todo tipo de equipamento desenvolvido com o mesmo propósito, facilitar a transição da vida e da morte.
Contudo, ainda me surpreendo a segurar algo tão pequeno e tão barato, que pode causar tanto dano e tirar da existência a vida como conhecemos. Ao olhar e segurar para ela, é necessário ter o devido respeito e até certo temor. E apesar da dificuldade que existe em não culpa-la pelo dano causado, temos que lembrar que a ferramenta sozinha não faz nada, mas quem a usa, sim.
Alisson David Frangullys 15/JUN/2022 · 10:43 (GMT-8) texto para o dia · 06/JUN/2022
