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Apostas de baixa probabilidade
This text is in Portuguese, as written.
Acordo no hotel em Las Vegas, ainda com um pouco de sono por causa da mudança de fuso horário, olho no relógio e são 7:30 da manhã. Coloco meu celular de lado, e começo a esfregar os olhos com as mãos, enquanto meu cérebro e corpo começam a conhecida rotina de começar a ligar.
- Certo... – começo pensando, refletindo nas atividades da noite anterior. Usei na roleta, uma estratégia chamada de Martin Gale, que é bem simples. Se você perder a primeira aposta, você dobra a sua segunda aposta, se perder a segunda aposta, dobra o que jogou na segunda na sua terceira aposta, e assim por diante, uma hora você ganha, recupera o que perdeu, e sai com um lucro.
As coisas começaram com o pé direito, pelo menos é o que eu pensei. Antes de começar a jogar, meu plano era usar $500 e tentar a sorte, começando com $25 e jogando tudo no preto. A roleta é uma forma de apostar e dobrar ou perder todo seu dinheiro com rapidez. Tem o preto, o vermelho, e 2 chances de cair no verde (1/36 para cada verde). O plano era sempre jogar no preto, até ganhar ou quebrar.
- Vai apostar agora? – Me perguntou a mulher que operava a roleta, depois de ter trocado meus suados $100 em fichas, que agora estavam em minhas mãos .
- Não – respondi pulando a primeira oportunidade de jogar. Ela acenou com a cabeça, garantiu que os outros jogadores estavam prontos, e jogou a bolinha na roleta. Girou e girou, caiu no vermelho. Fiquei aliviado por não ter jogado nessa. Estava na hora de apostar.
Coloquei $25 no preto. Ganhando estaria dobrando meu dinheiro, e poderia comprar uma pizza no final da noite. Lá estava a bolinha girando na roleta e... vermelho. Droga, perdi meu dinheiro, hora de dobrar a aposta.
Sem surpreender ninguém, quando dobrei minha aposta e coloquei em risco meus $50, caiu no vermelho mais uma vez. Troquei outra nota de $100, e joguei tudo no preto mais uma vez. Opa! Caiu no vermelho.
É isso, tirei do bolso minhas últimas notas, e troquei meus $200 para jogar no preto mais uma vez. Já tinha perdido $175, e agora estava arriscando todo o resto do meu dinheiro. Enquanto esperava fiquei pensando nos riscos que estava tomando e nas possíveis recompensas que me aguardavam.
Trocaram de operadores. Aprendi que é normal nos cassinos mudar a pessoa que opera as máquinas e joga os jogos, cerca de 20 minutos a cada rotação. A nova operadora tomou o lugar da antiga, e se preparava para fazer a próxima rodada.
Eu estava ali com as minhas últimas fichas. Coloquei as duas fichas pretas no preto. Cada ficha preta valia $100 neste cassino.
- Tudo ou nada – Pensei enquanto esperava a moça jogar a bolinha na roleta. Nervoso e ansioso, sentimentos que me acompanham a anos, mas agora florescidos e zangados, como se estivessem prontos para atacar seja lá quem aparecesse pela frente, e o pensamento constante de riscos correndo como um filme na minha mente.
Apesar disso tudo, eu estava preparado para esse cenário (pelo menos em teoria), tinha o plano de começar com $25 e ir até a última aposta de $200 caso as coisas saíssem do controle. Olhei para o canto da mesa, e tinha uma placa dizendo que a aposta limite era de $200. Com certeza para evitar que jogadores que possuíssem dinheiro ilimitado não ficassem dobrando as apostas até que a inevitável hora de ganhar chegasse. Mas eu não tinha esse luxo, era meu último dinheiro.
Ela jogou a bolinha, rodava na roleta e eu parei de olhar. Me debrucei sobre a mesa e fiquei aguardando. O filho do meu padrasto que estava comigo gritou quando a bolinha parou. Ele estava acompanhando o que eu estava fazendo, e provavelmente estava nervoso também.
O grito foi de alegria, ganhei pela primeira vez na roleta. Meus $200 da mesa se tornaram $400. Subtraindo dos $175 que eu já tinha perdido, sai no lucro com $25. Arrisquei $375 para ganhar $25. Não me parece uma boa ideia pela quantidade de risco envolvido.
Quantas vezes nos arriscamos, perdemos, e continuamos nos arriscando, cada vez mais, para finalmente ter o prazer de ganhar? Seja lá o que for... Um relacionamento a beira de um colapso, dinheiro investido, algo que compramos e precisamos de mais uma peça, ou de um reparo... Sempre tem alguma coisa que somos cabeça-dura de mais para aceitar a perda, e continuamos com riscos cada vez mais altos. A recompensa? Recuperar aquilo que já tínhamos no início, e uma chance de quem sabe ter um pouquinho mais do que isso.
Apesar de ter os meus riscos planejados, tive muita sorte de recusar em jogar a primeira vez. Os eventos estavam contra mim, e meu objetivo era lutar contra as más probabilidades e prevalecer. Sorte, instinto, falta de juízo, independente de como você chamar, foi o que me fez ganhar.
No final da noite, joguei o famoso 21, ganhei de primeira, $15, sai da mesa logo após a minha vitóra, com $30. O salto positivo do dia de $45 ainda não pagava a taxa de ter tirado dinheiro no cassino, nem as minhas perdas de Texas Hold (poker contra o dealer), da noite anterior. O balanço final me deixou com -$15. Mas a experiência foi divertida o suficiente para ter feito valer apena. Quem sabe eu jogue mais uma vez hoje, mesmo sabendo que as chances estão contra mim, o importante é me divertir no processo e aproveitar o quanto eu puder. É por isso que eu vim para cá. É por isso que eu vivo.
Alisson David Frangullys 02/JUN/2022 · 10:09 (GMT-8)
Backstage note
Frase: acho que algo for a do texto, sugestão?
