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As dificuldades do empregador
This text is in Portuguese, as written.
Muita gente reclama do empregador ser um carrasco explorador. Aparentemente, a culpa do mundo ser um caos é por causa dos ricos empresários que maltratam os empregados. Mas esse tipo de pensamento só é predominante porque a grande maioria ocupa a posição de empregado, e não a de empregador, e por isso desconhecem as dificuldades que o empregador enfrenta.
Vamos falar de alguns grandes benefícios de ser o empregado que são frequentemente esquecidos. O empregado sabe que vai receber no final do mês, que precisa apenas cumprir o que está no seu contrato, e trabalhar as suas horas. Pode acontecer de ser demitido quando algumas condições não são atendidas, mas ele vai ter o salário do mês e tudo que juntou durante o tempo em que esteve assegurado pelo trabalho.
O dono de um negócio precisa de uma boa quantia de dinheiro para começar o seu empreendimento, significando que teve que trabalhar e juntar bastante para começar. Ele sabe que não tem garantias nenhuma de nada. Se o mercado não estiver favorável, ele vai à falência e todo o seu dinheiro investido vai embora junto (nada se salva). O dono é o que mais trabalha, tem que ficar de olho em cada operação do negócio para garantir que tudo esteja dentro dos conformes e, para isso, tem que se preocupar com tudo, o tempo todo, tendo pouca paz de espírito.
E uma das coisas mais complicadas: ele tem que lidar com o empregado. De início, já é difícil encontrar alguém qualificado o suficiente e de confiança para realizar o trabalho. É pagar para ver, literalmente, e esperar pelo melhor durante os primeiros dias, fazendo o treinamento correto e os ajustes necessários para que as expectativas sejam cumpridas. Se os negócios estão indo bem ou mal, ele tem que pagar ao empregado da mesma forma, juntamente com impostos e outros gastos adicionais.
O empregado vai se lembrar dos 5 minutos a mais de trabalho que fez e se sentir um escravo mal pago, mas vai esquecer do dia que não foi trabalhar e bagunçou toda a escala de trabalho, dos atrasos frequentes, dos dias que fez um trabalho mal feito. No caso de alguns trabalhos pagos mensalmente com taxas diárias, ele vai cobrar ferrenhamente cada serviço adicional, mas nos 28 dias de fevereiro, vai fechar os olhos e esquecer que o mês é mais curto. Vai ter a memória curta de não entregar o serviço no dia combinado, mas vai até cobrar mais por receber 1 dia atrasado.
É até difícil de seguir a seguinte lógica. O que o empregador faz de bom grado, o empregado vai ver como “não fez mais do que a obrigação, já que me explora tanto!”. Nada será bom o suficiente, nunca. O empregador trabalhou com você para ter uma escala melhor? Entendeu seus problemas e tentou fazer com que o emprego não fosse tão ruim? Aceitou um serviço mal feito, pois sabe que você está numa situação ruim? Te deu mais dinheiro do que o combinado, pois reconhece seu bom trabalho? Nada disso é relevante. O empregador é um explorador sem coração que lucra nas suas costas e você deveria dar uma lição de moral nele por ter feito algo de que não gostou!
O empregador também tem um grande dilema: ele vai querer pessoas agradáveis para trabalhar com ele, o que acaba tornando ele mais próximo dos seus empregados. Mas o desenvolvimento dessa relação acaba por virar uma amizade e com a amizade, vem o desrespeito e a falta de noção. Então, ele se vê na posição de não fazer amizade com os empregados para evitar que esse ciclo se complete. Já tem um ditado que diz que se o chefe tentar ser gentil com seus empregados, ele vai perder o posto de chefe, e o negócio será dominado pelos empregados, levando ao desastre total.
A maioria das pessoas não entendem o quão difícil essas coisas realmente são, e o peso que cada fator traz na vida daquele que tem que gerenciar essas pessoas. Tratam aqueles que o contrataram com desdém, e ainda acredito que o próprio trabalho é feito com “perfeição divina”, e que não há o devido reconhecimento por isso. São dois pesos e duas medidas, e essa ilusão faz com que o ambiente de trabalho não possa ser tão tranquilo quanto poderia (e deveria) ser.
Alisson David Frangullys 27/MAI/2022 · 01:49 (GMT-7) texto para o dia · 26/MAI/2022
