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Monólogo 12 de 2022 - Fraco e impotente

Friday, May 20, 2022era one3 min readmonologue

This text is in Portuguese, as written.

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Note from the Monologues series

Todos os dias terminados em 0 (ou algo assim) terão textos de cunho muito pessoal aqui na página. Não há necessariamente um objetivo firmado e concreto nos textos desses dias. Como diria um amigo meu: “Conheça o autor e entenderá a sua obra”.

Quando eu quero alguma coisa que não posso comprar, me sinto pobre. Quando eu preciso ter coragem para fazer algo e não tenho, me sinto um medroso. Quando eu me proponho a fazer alguma coisa difícil e acabo desistindo no meio do caminho, eu me sinto um incapaz. Quando eu quero aprender algo difícil e não consigo, me sinto estúpido. Eu me sinto fraco e, obviamente, não gosto disso.

Mas eu realmente me sinto impotente quando vejo as outras pessoas ao meu redor precisando de ajuda e eu sem poder fazer nada, pois estou numa situação muito ruim. Quando a minha mãe reclama da velha máquina de lavar estragando nossas roupas, eu me sinto muito mal por não poder comprar uma melhor para ela. Quando a garota que eu gosto está se sentindo triste e sozinha, me sinto mal por não poder consolá-la adequadamente, ainda que ela tenha deixado claro que não quer nada comigo e eu esteja apenas protegendo minha sanidade mental. Quando meu pai tem contas médicas absurdas e temos que tirá-lo do tratamento, eu me sinto extremamente mal por não poder pagar os débitos para ele continuar se cuidando. Às vezes, até me imagino numa situação em que eu precisaria entrar em uma briga para ajudar alguém, mas provavelmente perderia por estar em péssimas condições físicas.

Quando o pai do meu colega de faculdade morreu, ele teve que fazer uma vaquinha para juntar um dinheiro e poder enterrar o próprio pai, eu chorei por me sentir um grande fracassado que estava passando fome e só tinha o dinheiro para pagar o aluguel (quase nunca sobrava para comida, tinha que racionar os miojos e arroz que comprava), pois eu queria poder pagar tudo para ele, mas não pude nem contribuir com 1 moeda que fosse.

Quando eu vejo injustiça e não posso fazer nada para mudar isso, seja por não ter dinheiro, não me sentir inteligente o suficiente, por não conhecer gente o bastante ou por não ser tão corajoso quanto precisaria ser, eu me sinto no meu pior. Me sinto um rato preso numa gaiola vendo o mundo ao meu redor pegando fogo e não podendo fazer nada. Me sinto Impotente, fraco, inútil.

Contudo, é nesses momentos que eu me obrigo a criar a coragem que eu preciso ter. Nessas horas, eu me inspiro o suficiente para estudar e continuar estudando para me tornar mais capacitado e poder contribuir melhor de alguma forma. É quando me sinto um pobre que me vem a força necessária para trabalhar 18h por dia por meses a fio e ter alguma coisa no banco e ajudar aqueles que eu amo.

Quando eu me sinto um lixo, é quando eu lembro do quanto ainda estou muito longe dos meus objetivos e preciso continuar seguindo adiante, pois essas situações vão continuar acontecendo, mas eu posso mudar o suficiente para alterar o resultado dessas situações.

Me perdoem por eu não ter feito alguma coisa quando foi a hora que precisaram de ajuda… eu também estava em um péssimo momento, mas estou fazendo o que eu posso para conquistar o meu lugar ao sol, e fazer com que tudo de ruim tenha uma solução e que eu possa ajudar de verdade. Às vezes, sinto que está demorando muito para eu chegar nesse ponto, mas é um processo lento mesmo e apesar das minhas falhas, estou fazendo o que posso para acelerá-lo e fazer com que dê certo.

Alisson David Frangullys 25/MAI/2022 · 14:28 (GMT-5) texto para o dia · 20/MAI/2022