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Carta aberta à saudade
This text is in Portuguese, as written.
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Já faz tanto tempo... Me pergunto se eu deveria mandar uma mensagem perguntando como estão as coisas. Para ser sincero, só a ideia de fazer isso já me deixa ansioso. Tenho medo de transformar aquelas boas memórias que um dia me fizeram feliz numa realidade triste e cheia de indiferença.
Antes de fazer qualquer coisa, sempre coloco na balança se isso é uma boa ou não. As vezes a resposta é clara, como a certeza do preto ser preto, e do branco ser branco. Às vezes é um emaranhado em tons de cinza que é difícil de discernir. Essa é uma destas: como quando você conta a situação para alguém, e escuta como resposta que “é complicado”. Acho que ninguém tem a resposta para isso.
Dentre todas as dúvidas, a que mais pesa o coração é a incerteza de um talvez. Será que teria dado certo se eu tivesse agido diferente em tal situação? Como seriam as coisas se estivéssemos juntos hoje? E se isso não tivesse acontecido, o que teria mudado?
Essas perguntas, que geram imaginações de casos improváveis, corroem por dentro mais do que a certeza decisiva de um sim ou um não, assim como uma âncora que você mesmo amarra à sua perna, e não permite que você vá muito longe, nada além do que a corrente permite.
Pensando bem, me arrependo apenas do que eu não fiz. Afinal de contas, todas as coisas que eu fiz e tive um resultado ruim, não saberia se dariam certo ou não. Melhor enfrentar os resultados ruins das ações do que viver uma vida de incertezas. Não tem o porquê imaginar mil e uma situações, e viver a mais medrosa delas: aquela na qual apenas se imaginou como seria, e nunca agiu.
É, acho que vou mandar uma mensagem. Ou melhor, vou ligar. Se tudo der certo, vou ficar feliz. Se tudo der errado, o peso corrosivo vai poder ser deixado de lado. Até porque tendo a consciência de que tudo que era possível já foi feito, não tenho motivos para arrependimentos. É como uma última chance. Mas para isso, tenho que dar uma chance à última chance.
Não sei o que o futuro me aguarda, mas sei que já vivi demais o presente sem ter uma certeza. Então está na hora de transformar isso em passado, e agir hoje mesmo para ter um futuro melhor. Chega de me prender a essa âncora. Hora de quebrar essa corrente, para o sim, ou para o não.
Alisson David Frangullys 03/MAR/2022 · 00:25 (GMT-5)

