WallMarchsolidão

062/365

Carta aberta à saudade

Thursday, March 3, 2022era one2 min readcarousel

This text is in Portuguese, as written.

Já faz tanto tempo... Me pergunto se eu deveria mandar uma mensagem perguntando como estão as coisas. Para ser sincero, só a ideia de fazer isso já me deixa ansioso. Tenho medo de transformar aquelas boas memórias que um dia me fizeram feliz numa realidade triste e cheia de indiferença.

Antes de fazer qualquer coisa, sempre coloco na balança se isso é uma boa ou não. As vezes a resposta é clara, como a certeza do preto ser preto, e do branco ser branco. Às vezes é um emaranhado em tons de cinza que é difícil de discernir. Essa é uma destas: como quando você conta a situação para alguém, e escuta como resposta que “é complicado”. Acho que ninguém tem a resposta para isso.

Dentre todas as dúvidas, a que mais pesa o coração é a incerteza de um talvez. Será que teria dado certo se eu tivesse agido diferente em tal situação? Como seriam as coisas se estivéssemos juntos hoje? E se isso não tivesse acontecido, o que teria mudado?

Essas perguntas, que geram imaginações de casos improváveis, corroem por dentro mais do que a certeza decisiva de um sim ou um não, assim como uma âncora que você mesmo amarra à sua perna, e não permite que você vá muito longe, nada além do que a corrente permite.

Pensando bem, me arrependo apenas do que eu não fiz. Afinal de contas, todas as coisas que eu fiz e tive um resultado ruim, não saberia se dariam certo ou não. Melhor enfrentar os resultados ruins das ações do que viver uma vida de incertezas. Não tem o porquê imaginar mil e uma situações, e viver a mais medrosa delas: aquela na qual apenas se imaginou como seria, e nunca agiu.

É, acho que vou mandar uma mensagem. Ou melhor, vou ligar. Se tudo der certo, vou ficar feliz. Se tudo der errado, o peso corrosivo vai poder ser deixado de lado. Até porque tendo a consciência de que tudo que era possível já foi feito, não tenho motivos para arrependimentos. É como uma última chance. Mas para isso, tenho que dar uma chance à última chance.

Não sei o que o futuro me aguarda, mas sei que já vivi demais o presente sem ter uma certeza. Então está na hora de transformar isso em passado, e agir hoje mesmo para ter um futuro melhor. Chega de me prender a essa âncora. Hora de quebrar essa corrente, para o sim, ou para o não.

Alisson David Frangullys 03/MAR/2022 · 00:25 (GMT-5)