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Distinção de treino e diversão

Friday, February 18, 2022era one4 min readcarousel

This text is in Portuguese, as written.

Todas as coisas podem ser vistas como uma forma de investimento, e o tempo não é exceção. Você pode usar o seu tempo primariamente para desenvolver algum projeto ou habilidade, ou para se divertir. E é importante fazer essa distinção de produção e diversão, pois depois das primeiras barreiras (ou platôs), elas vão se divergindo grandemente.

Isso é, há uma grande diferença entre usar o seu tempo para melhorar uma habilidade, e usar o tempo para se divertir. No início do desenvolvimento, essas duas coisas andam praticamente juntas. Geralmente você está aprendendo alguma coisa nova, pois está vendo algum benefício/prazer nisso. Dificilmente alguém fica bom em alguma coisa que não gosta e/ou não vê sentido.

Como analogia, vamos usar alguém que quer aprender algum instrumento musical, usaremos o violão pela popularidade. No começo, há sempre grandes dificuldades atreladas com o aprendizado – até mesmo por onde começar é há dúvidas. Mas, com o passar do tempo e com a prática, as primeiras barreiras vão se quebrando. Retomando nosso exemplo, as primeiras notas musicais vão saindo, e os vestígios de algumas músicas vão sendo tocadas.

Até aqui, o aprendizado seguia a diversão – talvez não tenha sido tão divertido sentir dor nos dedos e não conseguir tocar praticamente nada, mesmo assim, foi divertido. Depois que se aprende as primeiras notas, e pedaços de música (e as primeiras barreiras do aprendizado são quebradas), é que começa a grande divergência entre o aprendizado e a diversão. O estudante pode ficar tocando e se divertindo bastante, mas vai levar muito tempo para ele sair do lugar e melhorar (por menos intuitivo que seja).

Se você quer ficar melhor em alguma coisa, vai ser necessário praticar. E isso é verdade em qualquer atividade, como no esporte, com o aprendizado de novos idiomas, das ciências da natureza e geopolíticas, e até mesmo para jogos. Tudo se resume à prática. Quanto mais você passa tempo se dedicando em entender os fundamentos do que está estudando, buscando novos elementos, e desenvolvendo novas estratégias, melhor você fica.

O problema é que apenas tocar (se divertir), usando aquilo que você já aprendeu, apesar de te trazer diversão, vai te deixar estagnado com o que você sabe atualmente. O aprendizado é algo constante e eterno. Se você quer realmente melhorar, vai ter que começar a treinar e fazer uma rotina de estudos constante.

Retomando o exemplo do violão, se você apenas tocar – e não procurar aprender sobre notas e escalas, técnicas de treino para melhoria da velocidade e coordenação das mãos, e ter uma rotina de treinamento constante – você vai ficar bom apenas naquilo que já sabe, e só.

No começo de qualquer aprendizado, é importante o número de horas que você coloca naquilo que está tentando aprender e desenvolver. Isso vai permitir que você passe pelas primeiras dificuldades e platôs, e que tenha um nível básico de entendimento e prática. Depois disso, é muitos mais importante a qualidade do que a quantidade de horas que você coloca, (e, unindo as duas, é que você consegue ter os grandes e absurdos resultados).

Da mesma forma que quanto mais tempo você passa se dedicando a entender a si mesmo mais você será letrado nas suas próprias emoções. E, tendo esse conhecimento sobre si próprio, vai permitir que você tome decisões muito mais acertadas. Não é apenas usando um número maior de horas (vivendo mais, e ficando mais velho), mas sim a qualidade das suas horas (como você usa o seu tempo, e se está se desenvolvendo e saindo do lugar, ou estagnado).

É muito mais produtivo (para o aprendizado) passar meia hora treinando e praticando no violão, do que cegamente tocando. Da mesma forma que é mais produtivo passar meia hora do seu dia lendo um livro do que brincando de palavras-cruzadas.

A diversão é super importante e não deve ser ignorada, afinal de contas foi por causa dela (e das oportunidades que causaram motivação) que se começou o aprendizado. Da mesma forma como não somos robôs, e não precisamos estar produzindo todas as horas do nosso dia – também precisamos descansar e aproveitar a vida.

Mas é importante ter a distinção de que apenas fazer alguma coisa, não significa que você esteja melhorando nela. E, caso você tenha interesse em melhorar, vai ter que continuar estudando e praticando, independente de quanto tempo você faça alguma coisa. A qualidade das horas de treino são insubstituíveis e não podem ser diretamente comparadas com a quantidade.

Alisson David Frangullys 18/FEV/2022 · 12:41 (GMT-5)